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MedVet6 PeríodoMedicina EquinaP1

Doenças do Trato Respiratório em Equinos: Semiologia, Patologia e Terapêutica

A Lei da Quarta Potência no Fluxo Aéreo

Duracao: 35 min

Topicos da aula

  • Doenças do Trato Respiratório em Cavalos

Abordagem Respiratória em Equinos

O cavalo apresenta particularidades anatômicas e fisiológicas respiratórias que influenciam diretamente o caráter clínico e cirúrgico de diversas afecções. Uma dessas especificidades fundamentais é o fato de o cavalo ser um respirador nasal obrigatório, o que torna qualquer obstrução situada na região rostral ou na nasofaringe um fator criticamente limitante.

Além disso, comprometimentos localizados nas vias aéreas superiores geram um impacto direto na oxigenação sistêmica e na performance esportiva do animal. Isso ocorre devido à alta resistência ao fluxo de ar apresentada por essas estruturas, exigindo que as vias estejam desimpedidas para o funcionamento fisiológico adequado.

Dinâmica do Fluxo e Resistência

A Lei da Quarta Potência no Fluxo Aéreo

No cavalo, a maior parte da resistência ao fluxo de ar está concentrada no trato respiratório superior, abrangendo o trajeto desde as narinas até a laringe. Durante o repouso, o animal inspira aproximadamente 5 litros por respiração, mas esse volume tidal pode saltar para 10 a 15 litros quando o equino atinge o exercício máximo.

A dinâmica desse fluxo é explicada pela relação matemática onde a resistência do ar é inversamente proporcional ao raio da passagem de ar elevado à quarta potência. Devido a essa progressão, pequenas alterações no diâmetro têm consequências severas: uma obstrução de apenas 1 cm nas vias aéreas, por exemplo, pode gerar um impacto quatro vezes maior na resistência total do sistema.

Essa exigência física justifica adaptações anatômicas observadas em cavalos de alta performance, como os de corrida ou enduro (ex: Puro Sangue Árabe), que possuem narinas mais dilatadas para facilitar a entrada de ar e minimizar o esforço respiratório.

Mecânica Respiratória Bifásica

  • Respiração singular: o cavalo possui uma respiração bifásica, apresentando fases passivas e ativas tanto na inspiração quanto na expiração.
  • Fases da inspiração: o processo inicia se com a acomodação passiva do pulmão e evolui para uma segunda fase ativa, com o uso do diafragma e músculos intercostais externos.
  • Dinâmica inspiratória: durante a inspiração, os brônquios e bronquíolos tendem a dilatar, dificultando a ocorrência de dispneia inspiratória intratorácica.
  • Dinâmica expiratória: na expiração, os brônquios e bronquíolos tendem a colabar sob pressão negativa, o que pode produzir ruído respiratório.
  • Trato respiratório superior: devido à alta velocidade do ar, o tubo tende a colabar em vez de dilatar nesta região.
  • Impacto clínico: obstruções nas vias superiores afetam severamente a oxigenação sanguínea e pulmonar, resultando em fadiga mais rápida do animal.

Anatomia Funcional das Vias Superiores

O cavalo é caracterizado como um respirador nasal obrigatório, o que torna o conhecimento da anatomia das vias superiores essencial para o manejo clínico. Internamente, a cavidade nasal apresenta as conchas nasais dorsal, média e ventral, que delimitam os meatos correspondentes. Entre eles, o meato nasal ventral destaca se por ser o mais largo, sendo a via de escolha para a passagem de sondas na espécie.

O sistema de seios paranasais inclui os seios maxilares rostral e caudal, além de um seio frontal considerado pequeno quando comparado ao de ruminantes. Em procedimentos diagnósticos, os seios etmoides podem ser visualizados via endoscopia, enquanto o acesso aos seios esfenopalatinos para avaliação detalhada requer o uso de tecnologias de imagem avançada, como a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada.

Exame Físico e Semiologia Básica

  1. Inspeção inicial e sinais clínicos: Toda avaliação do sistema respiratório em equinos deve ser obrigatoriamente bilateral, observando se sinais de dificuldade como narinas dilatadas, olhar assustado e pescoço distendido.
  2. Verificação de patência e palpação: A patência das vias aéreas deve ser verificada manualmente na narina, seguida pela palpação cuidadosa dos linfonodos submandibulares e parotídeos.
  3. Percussão dos seios paranasais: Técnica restrita aos seios maxilares e frontais. O som normal assemelha se ao de um tambor (presença de ar), enquanto sons submáticos e abafados indicam a presença de líquido.
  4. Particularidades em potros: O refluxo de leite pelas narinas é um sinal anormal em recém nascidos, tendo a fenda palatina como principal diagnóstico diferencial, o que pode levar ao óbito por pneumonia por aspiração.

Técnica do Teste do Saco

  1. Objetivo da técnica: Utilização da hiperventilação para melhorar a ausculta pulmonar, estimular a tosse e avaliar a reatividade da mucosa respiratória em grandes animais.
  2. Configuração do sistema: Posicionamento de um saco de 50 a 100 litros para promover a reinalação de CO2 pelo cavalo.
  3. Cuidado durante a execução: Manutenção do saco sem que este colabe nas narinas, evitando o impedimento total da respiração do animal.
  4. Tempo de indução: O procedimento é mantido por aproximadamente 1 minuto a 1 minuto e meio.
  5. Ausculta pós retirada: Após remover o saco, o animal realiza inspirações mais profundas e frequentes por cerca de 30 segundos, momento ideal para a avaliação clínica.

Fundamentos da Auscultação Pulmonar

Após a estimulação respiratória, a realização da auscultação pulmonar exige precisão técnica, uma vez que o procedimento é naturalmente dificultado pela grande espessura da cavidade e da parede torácica do equino. Para garantir uma avaliação fidedigna, é fundamental que o exame ocorra em um ambiente calmo e silencioso, utilizando se obrigatoriamente um estetoscópio de alta qualidade para captar as nuances acústicas.

A varredura pulmonar deve seguir rigorosamente uma ordem craniocaudal e dorsoventral. Durante esse processo, o clínico deve considerar as limitações anatômicas: nas porções craniais, a escápula recobre uma parte substancial do parênquima pulmonar, enquanto nas porções mais caudais, o pulmão não é bem ventilado, tornando os sons pouco audíveis. A área de maior ventilação e clareza para a ausculta situa se no primeiro quadrante, logo após a escápula.

Fisiologicamente, o som esperado no cavalo saudável é apenas um leve farfalhar percebido no início da inspiração. Qualquer ruído que se manifeste além desse padrão inicial é considerado um indicativo de alteração nas vias respiratórias, sinalizando a necessidade de investigação diagnóstica mais profunda.

Ruídos Adventícios e Consolidação

  • Consolidação pulmonar: O som é auscultado com maior evidência em pulmões consolidados, como ocorre na pneumonia, devido ao fato de o som viajar mais rapidamente em meios sólidos.
  • Silêncio pulmonar dorsal: A ausência de sons na porção superior do tórax pode ser um indicativo clínico de pneumotórax.
  • Silêncio pulmonar ventral: A falta de ruídos na porção inferior sugere a presença de líquido, caracterizando uma efusão pleural.
  • Estridores: Ruídos extratorácicos com origem nas vias aéreas superiores que apresentam sonoridade semelhante a um ronco.
  • Crepitações ou estertores: Sons geralmente inspiratórios causados pela passagem do ar por bolhas de muco ou pelo rompimento de secreções durante a distensão pulmonar.
  • Terminologia técnica: Os termos crepitações e sibilos são as traduções consagradas para os conceitos de 'crackles' e 'wheezes', respectivamente.

Padrões Sibilantes na Asma Equina

Achado AuscultatórioFase RespiratóriaMecanismo FisiopatológicoContexto Clínico
Sibilos ExpiratóriosExpiraçãoPassagem de ar em tubos com lúmen reduzidoAsma equina e pneumonia
Sibilos InspiratóriosInspiraçãoFluxo em pulmões sem capacidade de dilatação ou distensãoConsolidação pulmonar ou atelectasia
CrepitaçõesInspiraçãoAbertura de vias aéreas em pulmão comprometidoAsma equina grave
BorbulhamentoTraquealPassagem do ar através de acúmulo de mucoAsma equina

A identificação da fase respiratória e do timbre do ruído adventício é fundamental para localizar a obstrução e diferenciar processos de consolidação de quadros puramente obstrutivos.

Alterações de Percussão e Retenção de Ar

Em animais apresentando asma grave, o pulmão aparenta estar maior em decorrência da retenção de ar. Essa alteração é evidenciada no exame físico através da percussão pulmonar, que revela um som hipersonoro e o deslocamento caudal da linha de percussão.

A percussão também é uma ferramenta essencial para a avaliação dos seios paranasais, embora sua aplicação seja restrita no cavalo, sendo os seios maxilares e frontais os únicos passíveis de percussão direta.

Essa dinâmica de retenção e as alterações estruturais impactam o fluxo aéreo; durante a expiração, o lúmen das vias aéreas sofre redução, o que favorece a produção de ruídos adventícios, como os sibilos.

Intolerância ao Exercício e Descarga Nasal

  • Intolerância ao exercício: Principal sinal clínico observado por proprietários em problemas respiratórios, devendo ser diferenciado de alterações musculoesqueléticas ou cardíacas.
  • Descarga nasal unilateral: Frequentemente associada a alterações localizadas em regiões rostrais ao septo nasal.
  • Descarga nasal bilateral: A diferenciação do padrão de corrimento (unilateral ou bilateral) é essencial para o diagnóstico diferencial das afecções.
  • Epistaxe: Caracterizada pela saída de sangue vivo e puro através das narinas.
  • Hemoptise: Sangue misturado com saliva e secreção, o que geralmente remete a quadros de hemorragias pulmonares.
  • Odor fétido: Indicativo de processos infecciosos nas narinas ou boca, sendo comum a presença de ar fétido em casos de sinusite.

Tosse e Enfisema Subcutâneo

A tosse é um sinal clínico extremamente comum em equinos, manifestando se especialmente quando há irritação do trato respiratório inferior. Ela é frequentemente observada em casos de asma equina, tanto na forma leve quanto na grave, e geralmente remete a quadros de inflamação, infecção, presença de corpos estranhos ou alterações pulmonares diretas.

O enfisema subcutâneo, por sua vez, pode conferir ao animal uma aparência inchada ou de musculatura aumentada. Diante de um quadro de enfisema subcutâneo generalizado, as duas principais suspeitas clínicas que o médico veterinário deve investigar são o pneumotórax ou a perfuração de traqueia, que pode ocorrer por traumas como coices de outros animais.

Adicionalmente, deve se considerar que sinais como a taquipneia podem surgir em animais com sepse em decorrência do choque séptico, exigindo atenção cuidadosa ao estado sistêmico do paciente durante a avaliação respiratória.

Sinusites e Relações Dentárias

As sinusites em cavalos apresentam se geralmente como alterações unilaterais. Um sinal clínico importante nessas condições é a epífora, que ocorre em decorrência da obstrução total ou parcial do ducto nasolacrimal, que passa por dentro dos seios maxilares. Diferente de outras afecções do trato respiratório, a ocorrência de tosse ou espirro é rara em pacientes com sinusite.

Além da face respiratória, a saúde bucal interfere diretamente na performance do animal. Uma alteração na anatomia dentária pode impedir que o dente deslize corretamente, resultando em má resposta à embocadura. Por esse motivo, cavalos com problemas dentários podem apresentar relutância à prática de esportes devido ao incômodo causado pelo uso do equipamento.

Sinais Clínicos de Dispneia Grave

Manifestações do Esforço Respiratório Intenso

Em quadros de dispneia grave, como na asma equina severa, o animal apresenta sinais claros de esforço físico para manter a oxigenação. Uma alteração característica é a protrusão do ânus durante a inspiração e a expiração, movimento que ocorre em decorrência da elevada pressão intra abdominal gerada pela inspiração forçada. Outra postura típica observada nesses pacientes é a manutenção do pescoço estendido.

A localização do problema respiratório pode ser sugerida pelo momento da dificuldade respiratória. As dispneias expiratórias em cavalos tendem a ocorrer por afecções no trato respiratório inferior. Isso se deve ao fato de que, em doenças intratorácicas, há uma compressão natural dos brônquios e bronquíolos durante a fase de expiração, dificultando a saída do ar.

Coleta de Material: Aspirado e Lavado

  1. Indicação Inicial: O aspirado traqueal e o lavado broncoalveolar (BAL) são ferramentas fundamentais para coletar amostras pulmonares, uma vez que exames de tomografia e ressonância são limitados a animais jovens.
  2. Execução do Lavado Broncoalveolar (BAL): O procedimento exige uma sonda de aproximadamente 3 metros passada até o pulmão, onde se insufla um balonete e injeta se de 250 a 500 ml de líquido.
  3. Validação da Amostra: A colheita é considerada bem sucedida quando o líquido recuperado apresenta coloração turva e presença de espuma.
  4. Direcionamento para Cultura: Caso o objetivo seja a cultura bacteriana, deve se realizar o aspirado transtraqueal, pois o líquido obtido via lavado broncoalveolar não é estéril.
  5. Diagnóstico por Citologia: A análise da celularidade permite identificar processos inflamatórios, como a asma equina, ou hemorragia pulmonar por esforço, caracterizada por líquido avermelhado com presença de hemácias.

Diagnóstico Radiográfico e Endoscópico dos Seios

A radiografia é uma ferramenta diagnóstica utilizada para identificar o acúmulo de líquido nos seios nasais, apresentando se como áreas radiopacas (brancas) quando há presença de pus ou estruturas sólidas. Entretanto, este exame possui a limitação de não diferenciar se o conteúdo identificado é pus, sangue ou cisto. Já a presença de áreas de radiolucência na imagem radiográfica é indicativa de destruição da raiz dentária. Para uma análise mais precisa, a tomografia computadorizada é considerada superior à radiografia, pois fornece imagens em 3D que permitem avaliar melhor o grau de comprometimento sinusal.

A avaliação direta dessas cavidades pode ser feita por meio da endoscopia. A técnica indireta, realizada via narina, permite a visualização de pus nos meatos nasais. Por outro lado, a endoscopia direta, que envolve a abertura do seio para a introdução do aparelho, oferece um diagnóstico superior em relação à abordagem indireta.

Citologia e Cultura Bacteriana

  • Aspirado Traqueal: Deve ser realizado de forma asséptica, sendo considerado o método ideal para a realização de cultura bacteriana em cavalos.
  • Lavado Broncoalveolar (BAL): Procedimento indicado para avaliar a celularidade e a presença de bactérias, embora sua amostragem celular possa ser limitada a apenas um dos pulmões e não seja um método estritamente asséptico para cultura.
  • Citologia na Asma Equina: A contagem diferencial citológica para o diagnóstico desta afecção costuma ser efetuada em uma amostra de 500 células.

Etiopatogenia das Sinusites Equinas

As sinusites e o hematoma etmoidal destacam se como as principais doenças clínico cirúrgicas que afetam os seios paranasais em cavalos. No contexto clínico, a sinusite pode manifestar se de forma primária ou secundária, sendo a apresentação primária considerada um evento raro na espécie.

A forma secundária é a mais prevalente e está frequentemente vinculada a alterações dentárias. Isso ocorre porque os seios maxilares rostral e caudal possuem uma relação anatômica íntima com os dentes pré molares e molares. Consequentemente, doenças periapicais ou abscessos dentários tendem a drenar seu conteúdo purulento para o interior do seio paranasal, consolidando se como uma das principais causas desta enfermidade.

Dentro da anatomia dentária equina, é importante notar que o dente de lobo representa o primeiro dente pré molar em estado atrofiado, enquanto os demais dentes da arcada superior mantêm a proximidade crítica com as cavidades sinusais.

Dentes e Seios: Correspondência Anatômica

A Relação entre Raízes Dentárias e Compartimentos Sinusais

A ocorrência de sinusites secundárias em equinos está intrinsecamente ligada à anatomia maxilar. O quarto dente pré molar e o primeiro molar possuem uma relação direta com o seio maxilar rostral, enquanto os dois últimos dentes molares apresentam íntima ligação com o seio maxilar caudal. Essa proximidade explica por que afecções dentárias frequentemente evoluem para quadros inflamatórios nessas cavidades.

O desgaste dentário nos cavalos é um processo permanente que ocorre conforme o dente erupciona da reserva da coroa. Por conta dessa característica de crescimento e erupção, a remoção cirúrgica de um dente maxilar exige um manejo cuidadoso: o dente mandibular correspondente deve sofrer desgaste periódico, uma vez que não terá mais oposição mecânica para limitar seu crescimento.

Além dos problemas odontogênicos, os seios paranasais podem ser afetados por agentes infecciosos sistêmicos. A bactéria Streptococcus equi, causadora do garrotilho, é um dos patógenos que pode provocar infecções sinisais, complicando o quadro respiratório do animal.

Abordagem Terapêutica e Lavagem Sinusal

  1. Avaliação Clínica: Identificação de som abafado ou submaciço na percussão dos seios paranasais, frequentemente associada a alterações nos pré molares e molares ou traumas no seio frontal.
  2. Desafio Terapêutico: O tratamento exclusivo com antibióticos e anti inflamatórios pode falhar, pois o acúmulo de pus altera o pKa da droga e pode levar à degeneração óssea e formação de fístulas.
  3. Trepanação ou Paracentese: Procedimento realizado com o animal em estação, sob sedação e bloqueio local, para permitir o acesso direto ao interior dos seios.
  4. Aproveitamento da Comunicação Anatômica: Realização de uma abertura no seio frontal para lavagem, utilizando a comunicação natural entre este e o seio maxilar para drenar ambos os compartimentos.
  5. Protocolo de Lavagem Sinusal: Irrigação contínua utilizando solução salina e solução antisséptica, como o iodo povidona (PVPI) diluído, visando a remoção do exsudato.

Hematoma Etmoidal Progressivo

O hematoma etmoidal caracteriza se como um aumento de volume hemorrágico e não neoplásico originado na submucosa dos etmoides. Esta massa, que apresenta crescimento progressivo decorrente de hemorragia local, possui uma frequência relativamente baixa na rotina clínica, incidindo em cerca de 4% a 6% dos casos, sendo mais comum em cavalos com idade acima de 6 anos.

Devido à sua natureza insidiosa, os sinais clínicos iniciais podem passar despercebidos, pois a massa inicialmente não compromete a respiração do animal. Contudo, com a progressão da patologia, o cavalo pode apresentar descarga nasal sanguinolenta ou serossanguinolenta, sintoma que ocorre frequentemente após o exercício em razão do aumento da vascularização da mucosa nasal.

À medida que o hematoma obstrui as vias aéreas, ele provoca ruído inspiratório (estridor). Além do impacto no fluxo de ar, a expansão da massa pode resultar em destruição e alterações ósseas significativas causadas pela compressão das estruturas adjacentes.

Alerta: Sangramento Nasal e Epistaxe

A epistaxe associada ao hematoma etmoidal é caracteristicamente unilateral e intermitente, manifestando se de forma mais evidente logo após o exercício físico. Embora o sangramento seja o sinal principal, a descarga nasal pode apresentar um aspecto purulento caso ocorra ação bacteriana secundária. Esta condição acomete majoritariamente cavalos adultos, com idade superior a 6 anos, podendo apresentar sinais menos comuns como tosse e exoftalmia. No diagnóstico por imagem, o raio X revela o acúmulo de líquido nos seios, porém possui a limitação de não identificar a natureza específica do fluido drenado.

Tratamento por Injeção de Formol

  1. Diagnóstico endoscópico: A endoscopia permite identificar a massa, que geralmente apresenta coloração acobreada ou enferrujada devido à oxidação do sangue.
  2. Proteção de mucosa: Aplicação de glicerina na narina para servir como camada protetora contra a irritação causada pelo formol na mucosa nasal.
  3. Infiltração química: A injeção de formol diretamente no hematoma etmoidal promove a desnaturação de proteínas.
  4. Mumificação e necrose: O processo químico resulta na mumificação da massa, que sofre necrose e se desprende da região.
  5. Considerações cirúrgicas e diferenciais: Se necessária, a remoção cirúrgica deve ocorrer com o animal em posição quadrupedal para reduzir a hemorragia, diferenciando o hematoma de cistos intra sinusais ou carcinomas de células escamosas.

Neuropatia Laríngea Recorrente

A neuropatia laríngea recorrente é uma condição patológica quase exclusiva dos equinos, comprometendo esta espécie de forma significativamente mais severa do que outras. O quadro é caracterizado pela paralisia de uma das cartilagens aritenoides, o que resulta em vibração anormal e ruído respiratório característico durante o exercício.

Tanto a progressão da neuropatia quanto o próprio tratamento cirúrgico podem levar ao desenvolvimento de edema de laringe. Este edema é uma complicação séria que causa dispneia inspiratória grave, exigindo intervenção imediata, como a realização de uma traqueostomia.

De modo geral, as dispneias inspiratórias em cavalos estão associadas a afecções do trato respiratório superior, envolvendo a laringe e suas regiões rostrais, o que reforça a importância do monitoramento dessas estruturas no manejo da neuropatia laríngea.

Deslocamento Dorsal do Palato Mole

  • Impacto no desempenho: Esta alteração compromete significativamente a performance esportiva do cavalo.
  • Mecânica do deslocamento: A epiglote fica encarcerada pelo palato mole, prejudicando a passagem do ar.
  • Produção de ruído: A vibração da membrana do palato durante a expiração produz um som característico.
  • Exceção clínica: Diferente da maioria das afecções do trato superior, esta condição manifesta um som especificamente expiratório.

Anatomia Vital das Bolsas Guturais

Estruturas Críticas e o Triângulo de Viborg

As bolsas guturais são estruturas anatômicas complexas divididas pelo osso estilo hioide em dois segmentos distintos: o lateral e o medial, sendo que o segmento medial apresenta um volume superior ao lateral. Esta região é de extrema importância clínica devido à passagem de estruturas vitais em seu interior, incluindo as artérias carótidas interna e externa, além dos nervos cranianos IX, X, XI e XII.

O comprometimento dessas estruturas por patologias nas bolsas guturais pode resultar em quadros graves, como disfagia e hemiplegia laringeana. Para o manejo clínico e cirúrgico, o triângulo de Viborg é um ponto de referência essencial, delimitado pela bifurcação da carótida e pela veia jugular. Esta área é frequentemente associada à drenagem espontânea de secreções e é um tema recorrente em avaliações acadêmicas e profissionais.

Empiema e Garrotilho

Manifestações Clínicas e Prevenção

O empiema da bolsa gutural em equinos é frequentemente desencadeado pela infecção por Streptococcus equi, o agente etiológico do garrotilho. Esta condição se manifesta clinicamente pela drenagem de conteúdo purulento através da abertura na nasofaringe, o que resulta em uma descarga nasal geralmente bilateral, independentemente de a infecção estar restrita a apenas uma das bolsas.

A progressão da enfermidade pode causar dificuldades funcionais graves, como a disfagia (dificuldade de deglutição) e a dispneia (dificuldade respiratória), além de alterações no ruído respiratório decorrentes da infecção da faringe ou da distensão de estruturas linfoides. Em casos de cronicidade, o pus pode se ressecar e desidratar, formando massas sólidas conhecidas como condroides. Adicionalmente, o comprometimento neurológico local pode levar ao deslocamento dorsal do palato mole e, em situações raras de lesão em vasos da mucosa, pode ocorrer epistaxe.

Para o controle preventivo, a vacina contra Streptococcus equi deve ser administrada a cada 4 meses para assegurar a manutenção da imunidade. Vale ressaltar que, especificamente no estado do Paraná, não existe a obrigatoriedade legal da vacinação contra o garrotilho.

Manejo Cirúrgico: Triângulo de Viborg

  1. Identificação diagnóstica: O processo inicia se ao observar aumento de volume flutuante e dolorido no triângulo de Viborg, com confirmação por raio X (área radiopaca) ou, preferencialmente, por endoscopia.
  2. Manejo clínico inicial: Institui se o tratamento com lavagens constantes com solução salina e antibioticoterapia sistêmica, utilizando beta lactâmicos como a penicilina para combater bactérias gram positivas.
  3. Indicação cirúrgica: Caso o conteúdo purulento resseque e desidrate, formam se condroides (estruturas semelhantes a pedras), o que exige intervenção cirúrgica para remoção.
  4. Acesso via triângulo de Viborg: Realiza se a penetração na bolsa gutural por esta via, que é considerada a técnica menos traumática e de execução mais fácil para o acesso cirúrgico.
  5. Avaliação de prognóstico: A recuperação depende do grau de comprometimento neurológico, dada a relação íntima entre a bolsa gutural e diversos pares de nervos.

Espectro da Asma Equina

A asma equina é uma enfermidade de caráter alérgico comum em cavalos idosos e mantidos em estabulação. A nomenclatura evoluiu ao longo das décadas: até o início dos anos 2000, a condição era chamada de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enquanto o termo Obstrução Recorrente das Vias Aéreas (RAO) predominou entre os anos de 2000 e 2017.

O espectro da doença é dividido em três tipos principais: asma leve, asma grave e asma associada ao pasto. A forma grave possui associação com fatores genéticos e é diagnosticada majoritariamente em animais mais velhos, sejam eles estabulados ou criados em pastagens que contenham alérgenos específicos.

Clinicamente, a asma grave é uma patologia sem cura definitiva, caracterizando se por alternar entre crises e fases de remissão. Além disso, a doença pode apresentar sazonalidade, com piora dos quadros no inverno ou na primavera. A variante associada ao pasto guarda semelhanças com as alergias causadas por poeira em seres humanos.

Considerando o impacto no manejo, o controle ambiental é decisivo para a manutenção do animal em remissão, visando reduzir o contato com poeira e aeroalérgenos que desencadeiam a resposta inflamatória.

Diferenciando Asma Leve e Grave

CaracterísticaAsma Equina LeveAsma Equina Grave
Esforço respiratório em repousoAusentePresente e aumentado
Frequência da tosseOcasionalRegular
Alterações estruturaisAusentes inicialmenteRemodelamento da matriz extracelular e fibrose
Impacto na atividadeQueda de performanceIntolerância ao exercício
Possibilidade de curaPossui curaDificultada pelo pulmão fibroso e menos extensível
Prevalência e idadeComum em animais com menos de 2 anos (80% em treinamento)Evolução crônica de episódios repetitivos

O diagnóstico diferencial baseia se primordialmente na observação do esforço respiratório com o animal em descanso.

Patogenia e Inflamação Pulmonar

O Papel dos Neutrófilos e Alérgenos Ambientais

A patogenia da asma equina é fundamentada em uma reação de hipersensibilidade do tipo I, mediada por IgE, frequentemente desencadeada por alérgenos como esporos de fungos, ácaros, toxinas bacterianas e gases irritantes, a exemplo da amônia. Em cavalos jovens, infecções virais como a Influenza também podem atuar como gatilhos para o desenvolvimento do quadro asmático.

A resposta inflamatória pulmonar ocorre em duas etapas distintas. Na fase inicial, o recontato com o alérgeno provoca a degranulação de mastócitos e a liberação de histamina, o que resulta em broncoconstrição imediata, vasodilatação e aumento da produção de muco (discrimia). Cerca de 6 a 9 horas após o contato com o antígeno, inicia se a segunda fase, marcada pela migração intensa de células inflamatórias para o local.

Um ponto crítico na asma grave do cavalo é que, diferentemente da asma humana, não ocorre um aumento marcante de eosinófilos no lavado broncoalveolar. O processo é caracterizado por uma inflamação neutrofílica predominante. Os neutrófilos são os principais responsáveis por provocar alterações na matriz celular pulmonar e perpetuar o processo inflamatório crônico na espécie equina.

Sinais Clínicos e Achados Endoscópicos

  • Dificuldade Expiratória: o endurecimento do pulmão e a baixa elasticidade dos brônquios dificultam a expiração total do ar.
  • Sinais Clínicos Sistêmicos: manifestam se através de hiperpneia, taquipneia, narinas dilatadas e aumento da frequência cardíaca.
  • Ajustes Posturais e Movimentação: o animal mantém o pescoço distendido e apresenta protrusão do ânus durante a respiração para compensar a dispneia.
  • Tosse e Secreção: observam se crises paroxísticas de tosse intensa e o acúmulo de muco na traqueia, identificável por meio de endoscopia.
  • Linha de Nastro: também chamada de linha de heave, consiste na hipertrofia da musculatura abdominal resultante do esforço respiratório crônico.
  • Edema da Carina: a prega de cartilagem que divide o pulmão, normalmente fina, apresenta se espessada em quadros de inflamação pulmonar ou asma grave.

Protocolos de Diagnóstico Citológico

  • Diagnóstico clínico: Baseia se primariamente no histórico e nos sinais clínicos respiratórios, sem a presença de febre ou alterações de glicemia.
  • Avaliação endoscópica: Permite a visualização direta do edema de carina e do colabamento dos brônquios característicos da asma.
  • Citologia do trato inferior: Constitui o método principal para a confirmação diagnóstica, utilizando o aspirado traqueal ou o lavado broncoalveolar (BAL).
  • Aspirado traqueal: Técnica que oferece celularidade fidedigna por reunir secreções provenientes de ambos os pulmões.
  • Lavado broncoalveolar (BAL): Procedimento realizado geralmente às cegas que tende a coletar amostras predominantemente do pulmão direito.
  • Perfil celular saudável: Caracteriza se pelo predomínio de macrófagos e linfócitos, com uma porcentagem normal de neutrófilos em torno de 5%.
  • Indicativo de asma grave: Presença de uma contagem de neutrófilos superior a 25% no lavado broncoalveolar.

Marcadores de Cronicidade e Fibrose

Marcadores Citológicos e Sinais de Esforço Crônico

A asma leve em equinos é caracterizada por uma inflamação alveolar complexa que eleva a contagem de neutrófilos, mastócitos e eosinófilos. No lavado broncoalveolar, a detecção de neutrófilos entre 5% e 25% é um indicativo diagnóstico relevante, associada a uma resposta rápida dos mastócitos que ocorre entre 45 minutos e 1 hora. Como a inflamação pulmonar na asma geralmente compromete o órgão como um todo, a amostragem de apenas um dos lados do pulmão é tecnicamente aceitável.

A citologia desses pacientes pode revelar marcadores específicos, como macrófagos espumosos e as espirais de Curschmann. Estas espirais são moldes de muco em formato espiralado que ficam presos dentro dos alvéolos, sinalizando a retenção de secreções. Além disso, em cavalos jovens no início do treinamento respiratório, a hiperplasia linfoide da faringe é identificada como uma alteração comum.

Nos casos de asma grave, o quadro clínico evolui para dispneia expiratória evidente. O esforço crônico para expelir o ar resulta na hipertrofia das musculaturas abdominais, que se tornam visivelmente definidas ou marcadas. Fatores ambientais, como o consumo de feno, potencializam esses quadros devido ao maior contato do animal com substâncias alérgenas.

Marcadores de Cronicidade e Fibrose (cont. 2)

A dinâmica respiratória na asma equina é marcada por um estreitamento luminal que se intensifica durante o esforço expiratório. À medida que o lúmen das vias aéreas reduz ainda mais nesse processo, o fluxo de ar produz sibilos audíveis. Além dessas alterações funcionais, a progressão para a asma grave envolve o remodelamento da matriz extracelular, que é caracterizado como uma lesão pulmonar irreversível.

Pneumonia e o Desafio do Transporte

A pleuropneumonia representa um desafio crítico na medicina equina, sendo considerada uma evolução comum e de extrema gravidade da pneumonia. O transporte por longas distâncias destaca se como uma das principais causas para o desenvolvimento desta condição, especialmente em cavalos jovens de corrida submetidos a viagens prolongadas sem as devidas pausas para descanso.

O risco fisiopatológico durante o transporte está diretamente ligado à postura do animal. Em condições normais, os cavalos passam cerca de 18 horas por dia com a cabeça baixa, o que facilita a expectoração natural do muco. No entanto, quando a cabeça é mantida elevada e amarrada durante o trajeto, a drenagem é impedida, facilitando a entrada e permanência de partículas e bactérias no trato respiratório inferior. Esse quadro é agravado pela desidratação, que torna o muco respiratório mais espesso e de difícil eliminação.

Além do transporte, a anestesia é outro fator predisponente relevante. Ela pode irritar as mucosas através dos gases utilizados ou aumentar o risco de pneumonia por aspiração de alimentos, exigindo atenção redobrada no manejo desses animais antes e após procedimentos.

Etiologias Virais e Corpos Estranhos

  • Contaminação oral: o cavalo apresenta uma contaminação oral do trato respiratório mais rápida do que outras espécies.
  • Herpesvírus (Tipo 1 e 4): representam as causas virais mais comuns de lesões respiratórias e neurológicas em cavalos.
  • Aspiração de grípula: na região Sul do Brasil, a inalação de agulhas de pinheiro (grimpa) é uma causa comum de pneumonia por corpo estranho em equinos.

Semiologia da Pleuropneumonia

  • Pleurodinia e postura: presença frequente de dor pleural, manifestada pela abdução dos membros torácicos e gemidos à compressão do tórax.
  • Roçar pleural: som audível durante a inspiração e a expiração que indica uma pleura espessada e inflamada.
  • Consolidação pulmonar: processo anatomopatológico comum onde o pulmão perde sua capacidade de distensão normal, ocorrendo geralmente na porção ventral.
  • Auscultação na pneumonia: a consolidação pulmonar pode gerar sons mais audíveis na região dorsal do cavalo.
  • Formação de abscessos: a pleuropneumonia é caracterizada pelo desenvolvimento dessas estruturas tanto no parênquima pulmonar quanto na cavidade torácica.
  • Padrão alveolar bronquial: quando localizado na região crânio ventral, é um achado indicativo de pneumonia por corpo estranho ou por falsa via.
  • Reação inflamatória: a resposta do organismo à pneumonia pode ser, muitas vezes, mais lesiva ao animal do que a própria infecção bacteriana.

Pneumonia Aspirativa por Falsa Via

  • Mecanismo de ocorrência: a administração forçada de líquidos pelo nariz, popularmente conhecida como "garrafada", é uma prática inadequada frequentemente usada na tentativa de tratar cólicas.
  • Substâncias nocivas: o uso de líquidos como café ou refrigerantes (ex.: Coca Cola) para esse fim causa danos severos e pode resultar em pneumonia aspirativa fatal.
  • Localização das lesões: a porção crânio ventral do pulmão é a região mais afetada nesses casos devido à ação da gravidade durante a aspiração.

Fases da Pleuropneumonia e Diagnóstico

A pleuropneumonia evolui clinicamente através de três etapas fundamentais: a fase inicial de pneumonia, marcada pela colonização bacteriana; a fase de efusão pleural; e a fase de organização da fibrina.

Em estágios mais avançados da doença, a fibrina organiza se em camadas que se assemelham a favos de mel, criando compartimentos chamados de lojas. Essa conformação é particularmente crítica, pois atua como uma barreira física que impede a ação eficaz de antibióticos no foco da infecção.

O diagnóstico preciso é estabelecido pela combinação de exames laboratoriais, toracocentese e ultrassonografia. O exame ultrassonográfico é uma ferramenta essencial, permitindo a identificação de líquido na cavidade torácica, o espessamento da parede torácica e a presença de fibrina.

Parasitoses Pulmonares em Equinos

  • Dictyocaulus arnfieldi: Parasita pulmonar que afeta grandes animais, sendo uma das principais causas de verminose respiratória em equinos.
  • Epidemiologia e Transmissão: A prevalência da infecção é significativamente maior em muares do que em cavalos, de modo que o convívio entre essas espécies aumenta a predileção dos equinos à parasitose.
  • Aspecto Morfológico: Quando presentes no parênquima pulmonar, os espécimes de Dictyocaulus apresentam um formato muito fino, assemelhando se visualmente a capilares ou fios de cabelo.
  • Grandes Estrongilídeos: Além do parasita pulmonar primário, os helmintos Strongylus vulgaris, Strongylus edentatus e Strongylus equinus também possuem fases de ciclo pulmonar durante seu desenvolvimento no hospedeiro.

Manejo Ambiental do Cavalo Asmático

A mudança de ambiente constitui um dos pilares fundamentais para o tratamento da asma equina, sendo essencial para reduzir a carga de estímulos inflamatórios. O cavalo asmático deve evitar o contato prolongado com materiais de cama como serragem e maravalha, além de se monitorar a presença de amônia no ar das instalações.

No manejo alimentar, o feno fornecido deve ser obrigatoriamente molhado ou tratado com vapor para destruir partículas alérgenas. Outra estratégia eficaz para diminuir a exposição a aeroalérgenos é a substituição do volumoso por uma dieta peletizada.

Para o tratamento a longo prazo, o controle da exposição ao ambiente externo também é relevante. Em determinadas condições, como durante o verão, é necessário manter o animal fora do pasto para garantir a estabilidade do quadro respiratório.

Terapêutica Medicamentosa da Asma

MedicaçãoVia de AdministraçãoIndicação e Observações
Dexametasona e TriancinolonaIntravenosaPreferível em crises agudas; indicada quando o animal não consegue inspirar produtos inalatórios.
PrednisolonaOralConsiderado o melhor corticoide por apresentar menores efeitos colaterais.
Corticoides InalatóriosInalatóriaPreferível para controle a longo prazo; age diretamente no alvo pulmonar com menos efeitos colaterais.
Broncodilatadores e MucolíticosDiversasUtilizados como tratamentos auxiliares no suporte respiratório à asma equina.

Nota: A escolha da via de administração deve considerar a capacidade inspiratória do animal no momento da crise.

Técnicas de Inalação em Cavalos

  • Via de administração: deve ser obrigatoriamente nasal, devido à inexistência de comunicação entre o trato oral e o nasal na espécie equina.
  • Tamanho das partículas: o diâmetro ideal para que o fármaco atinja os bronquíolos e alvéolos deve situar se entre 1 e 5 micrômetros.
  • Impactação de partículas grandes: partículas muito grandes perdem o efeito terapêutico por ficarem retidas na traqueia ou nos brônquios principais.
  • Dispositivos de interface: o uso de máscaras específicas e adaptadores permite a aplicação de inaladores de dose medida ("bombinhas") humanos em cavalos.
  • Válvulas unidirecionais: as máscaras utilizam essas válvulas para garantir que o animal inspire o medicamento sem que o produto seja expelido de volta durante a expiração.
  • Uso clínico: a terapia inalatória é mais indicada para o manejo de longo prazo do que para a resolução imediata de crises agudas.

Broncodilatadores e Doping Esportivo

No manejo respiratório equino, os broncodilatadores atuam como terapias adjuntivas essenciais, juntamente com mucolíticos e estabilizadores de membrana. O clembuterol destaca se como o principal fármaco da farmacopeia veterinária para essa finalidade, operando como um beta agonista que promove o relaxamento da musculatura bronquial através do estímulo aos receptores beta. Além dele, opções como albuterol, salbuterol e formoterol são frequentemente administradas na forma de aerossol.

Outra via para a broncodilatação envolve o uso de parassimpaticolíticos, como a hioscina e a atropina, que bloqueiam a broncoconstrição. Entretanto, seu uso exige cautela clínica rigorosa, pois esses agentes podem desencadear atonia intestinal como um efeito colateral significativo nos cavalos.

No contexto do esporte, o uso dessas substâncias é estritamente regulamentado. O clembuterol é considerado doping em cavalos de competição, exigindo um período obrigatório de washout antes da participação em eventos. Da mesma forma, o uso de albuterol demanda a observância de um período de carência (withdrawal) para garantir a conformidade com as normas desportivas.

Broncodilatadores e Doping Esportivo (cont. 2)

A administração do clembuterol, consolidado como um importante recurso terapêutico no manejo das vias aéreas em equinos, é realizada frequentemente por via oral.

Mucolíticos e Terapia Adjuntiva

  • Dembrexina e acetilcisteína: Exemplos de mucolíticos farmacológicos utilizados na clínica equina para o controle das secreções.
  • Erva de passarinho: Quando seca e moída na ração, esta planta pode ser utilizada por possuir efeito mucolítico.
  • Cromoglicato de sódio: Estabilizador de membranas lisossomais dos neutrófilos utilizado como terapia adjuntiva no tratamento da asma.
  • Hiper hidratação pulmonar: Técnica de lavagem que consiste na administração de cerca de 30 litros de solução salina ou lactato por 3 horas, visando promover um edema leve para deslocar o muco.
  • Gravidade clínica: A asma grave pode levar o animal ao óbito devido à bronconstrição severa, falta de oxigênio ou por remodelamento pulmonar extenso.

Tratamento Clínico das Pneumonias

  • Pneumonia aspirativa aguda: o protocolo terapêutico envolve o uso de diuréticos, corticoides, broncodilatadores e anti inflamatórios.
  • Espectro antibiótico: a combinação de penicilina com gentamicina ou amicacina é utilizada para assegurar uma cobertura de amplo espectro no tratamento de pneumonias.
  • Penetração em abscessos: antibióticos como cloranfenicol e florfenicol são indicados para casos com formação de abscessos devido à sua alta capacidade de penetração tecidual.
  • Duração da terapia: o tratamento antibiótico em quadros de pneumonia equina deve ser prolongado, frequentemente ultrapassando os 7 dias tradicionais.
  • Asma leve infecciosa: o manejo inicial foca no uso de anti inflamatórios e antibióticos para controlar o quadro.
  • Controle inflamatório: o uso de uma dose única de corticoide pode ser empregado como auxílio no controle do processo inflamatório pulmonar.

Drenagem Pleural e Toracocotomia

A drenagem pleural é o principal diferencial no tratamento da pleuropneumonia em equinos quando comparada a outras afecções respiratórias. O procedimento pode ser realizado por meio de uma pequena toracostomia para a colocação de um cateter ou sonda permanente, utilizando se o ultrassom para visualizar e identificar o local adequado para a intervenção.

Geralmente, a drenagem torácica é realizada entre o sétimo e oitavo espaço intercostal, posicionada acima da veia torácica externa. Uma particularidade importante ocorre no lado esquerdo do tórax, onde a drenagem deve ser feita de forma um pouco mais caudal para evitar o coração.

Para garantir a manutenção do sistema, a sonda de drenagem pleural deve permanecer no animal até que o líquido drenado apresente se claro ou em baixo volume. No caso de sonda permanente, pode se utilizar um dedo de luva na ponta para impedir a entrada acidental de ar no tórax.

Em situações de maior gravidade, como nos casos de pleuropneumonia com grande quantidade de fibrina, a toracotomia é a intervenção indicada para o manejo adequado do paciente.

Considerações Cirúrgicas Finais

  • Particularidades da Espécie: O cavalo apresenta alterações respiratórias singulares, sendo que muitas possuem caráter essencialmente cirúrgico para a resolução definitiva do quadro.
  • Impacto no Desempenho: Afecções como a sinusite, as doenças das bolsas guturais e a neuropatia laríngea recorrente promovem a queda de performance atlética devido à obstrução mecânica da passagem do ar.
  • Tratamento de Cistos Sinusais: A abordagem terapêutica para cistos nos seios paranasais exige o desbridamento e a remoção cirúrgica completa da estrutura, uma vez que a simples abertura da cavidade não é suficiente para o tratamento.

O diagnóstico radiográfico de tórax em cavalos a

O diagnóstico radiográfico de tórax em cavalos adultos é um procedimento que apresenta complexidades técnicas específicas. A principal dificuldade na execução desse exame reside na necessidade de utilização de equipamentos de alta potência, além da obrigatoriedade de se capturar múltiplas imagens para uma avaliação torácica completa e precisa.

Infecções ou sinusites no seio esfenopalatino po

As infecções ou quadros de sinusite localizados no seio esfenopalatino representam uma condição crítica na clínica de equinos devido às suas relações anatômicas. A principal complicação associada a essa afecção é a ocorrência de cegueira abrupta no animal.

Essa perda súbita de visão ocorre em função da estreita proximidade entre o seio esfenopalatino e o quiasma óptico, permitindo que o processo inflamatório ou infeccioso comprometa diretamente as estruturas nervosas responsáveis pela visão.

Cistos nos seios paranasais maxilares podem obst

Os cistos localizados nos seios paranasais maxilares são estruturas que podem comprometer a passagem de ar nas vias aéreas superiores dos equinos. Devido à sua localização e potencial de expansão, essas formações têm a capacidade de obstruir os meatos nasais dorsal e médio, impactando a eficiência respiratória do animal.

Em potros recém nascidos, a pneumonia pode ser c

Em potros recém nascidos, a ocorrência de pneumonia pode estar diretamente relacionada a processos infecciosos iniciados em outras partes do corpo. Uma via comum de contaminação é a infecção ascendente, que se origina a partir de um quadro de onfalite, afetando a região do umbigo do animal.

A oxigenoterapia pode ser utilizada em ambiente

A oxigenoterapia pode ser utilizada em ambiente hospitalar para melhorar o aporte de oxigênio aos tecidos.

Dicas Para Provas

Dicas Para Provas
A resistência das vias aéreas é regida pelo raio da passagem elevado à quarta potência; pequenas obstruções geram impacto exponencial.
O Triângulo de Viborg, formado pela carótida e veia jugular, é o acesso cirúrgico de eleição para drenagem da bolsa gutural.
Diferenciação entre sibilos (obstrução de lúmen), crepitações (rompimento de muco/distensão) e estridores (origem superior/extratorácica).
O uso de beta agonistas como o clembuterol exige carência competitiva por ser considerado doping.

O Fluxo do Fôlego

No cavalo, pequenas obstruções nas vias aéreas aumentam exponencialmente a resistência ao fluxo, limitando toda a sua vitalidade. Assim como o corpo exige canais livres para respirar, nossa alma necessita remover os pesos internos que impedem a paz de fluir. Jesus é quem desobstrui nossa jornada e renova nosso fôlego, devolvendo a liberdade necessária para vivermos com plenitude.

Tudo o que tem fôlego louve o Senhor. Aleluia!Salmos 150:6

Descubra o convite para um fôlego renovado em Mateus 11:28.

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