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MedVet6 PeríodoMedicina EquinaP2

Neurologia Equina

Desafios Logísticos e Físicos

Duracao: 32 min

Topicos da aula

  • Neurologia

Overview

Visão Geral da Neurologia Equina

A neurologia equina exige o domínio de um exame clínico rigoroso, superando desafios impostos pela massa corporal do paciente e pela limitação de exames de imagem na coluna vertebral. A distinção entre afecções musculoesqueléticas e neurológicas é o passo inicial, onde a ataxia e a irregularidade de andadura sugerem comprometimento do sistema nervoso central. A avaliação sistemática dos nervos cranianos e a localização neuroanatômica medular orientam o diagnóstico de quadros infecciosos, como a MEP, e intoxicações como a leucoencefalomalácia. Enfermidades como o tétano e as encefalomielites virais exigem atenção redobrada pela gravidade clínica e potencial zoonótico. O suporte diagnóstico baseia se na análise do líquor e no histórico vacinal, sendo a intervenção precoce determinante para o prognóstico e a viabilidade funcional do animal.

Fundamentos e Desafios do Exame Neurológico

Desafios do Exame Neurológico em Cavalos

Desafios Logísticos e Físicos

O exame neurológico em equinos apresenta desafios significativos devido à massa corporal do paciente, o que torna os testes de reflexos e posicionamento fisicamente exigentes. Diferentemente dos cães, os cavalos possuem os olhos bem lateralizados, fator que deve ser considerado na avaliação clínica. Quanto aos exames de imagem, embora seja possível realizar a ressonância magnética da cabeça e partes distais dos membros, o procedimento é tecnicamente inviável para a coluna vertebral de cavalos adultos.

Grande parte das doenças neurológicas em cavalos são infecciosas, frequentemente associadas a causas virais ou bacterianas, como o tétano, embora causas tóxicas e traumáticas também sejam frequentes. Por segurança, animais com quadro neurológico devem ser manipulados com o uso de luvas. Vale notar que traumas mecânicos, como trancos de cabresto, podem provocar lesões no cerebelo. Infelizmente, o prognóstico para lesões medulares graves é geralmente reservado a desfavorável, pois a manutenção da qualidade de vida é impraticável em cavalos com sequelas motoras permanentes.

Diferenciando Claudicação de Ataxia Neurológica

Neurológico vs. Musculoesquelético

Um dos principais desafios diagnósticos na clínica equina consiste em diferenciar a doença neurológica de afecções musculoesqueléticas. A análise do padrão de andadura é fundamental: enquanto claudicações de origem musculoesquelética apresentam um padrão sincrônico e regular, na doença neurológica, o animal exibe um padrão irregular. Durante essa avaliação, não se deve erguer a cabeça do cavalo com suspeita neurológica para não alterar o sistema vestibular e piorar a incoordenação central.

A ataxia se manifesta por anormalidades proprioceptivas, com aumento do balanço corporal e passadas longas e irregulares nos membros pélvicos. Já a paresia ou fraqueza caracteriza se pela dificuldade em erguer o membro, arrastamento, tropeços e passos curtos. É vital lembrar que alterações neurológicas podem provocar atrofia muscular secundária por desuso ou denervação, o que pode dificultar a identificação da causa primária quando ambas as condições coexistem.

Avaliação do Estado Mental e Postura

Sinais Clínicos e Localização

O andar e a postura do cavalo costumam ser os primeiros parâmetros avaliados, seguidos pela observação do estado de consciência (alerta, letargia, estupor ou coma). Em pacientes jovens, como um potro comatoso, a ausência de reflexo ao puxar a língua ou abrir a boca demonstra um comprometimento neurológico central importante. Sinais como o head tilt ou a pressão da cabeça contra objetos ( head pressing ) são indicativos clássicos de problemas encefálicos ou vestibulares, podendo vir acompanhados de cegueira ou comportamentos compulsivos.

A maioria dos cavalos com lesão cerebral ou vestibular central apresenta o comportamento de andar em círculos. Nas lesões cerebrais, esse andar é compulsivo, regular e coordenado, embora deva ser classificado como assimétrico; já na lesão vestibular central, o círculo possui formato irregular. Vale ressaltar que o andar simétrico tem associação com doenças vestibulares. Por fim, a simetria muscular deve ser rigorosamente avaliada, pois lesões de neurônio motor inferior podem causar assimetria e atrofia na cabeça, pescoço e tronco.

Avaliação dos Nervos Cranianos

Localização de Lesões e Desenvolvimento Cerebelar

A avaliação dos doze pares de nervos cranianos permite localizar lesões no encéfalo e tronco encefálico. Esta análise diferencia funções neurosensitivas e neuromotoras no exame neurológico de cavalos. Além disso, a ausência de sinais de envolvimento do encéfalo, tronco encefálico e nervos cranianos indica a ocorrência de uma lesão medular, ou seja, caudal ao forame magno. Ressalte se que o nervo olfatório não é avaliado com frequência em exames neurológicos de cavalos.

O desenvolvimento neurológico influencia a locomoção, sendo que o potro apresenta andar desengonçado porque tem o cerebelo ainda pouco desenvolvido; ademais, lesões cerebelares em cavalos podem provocar tremores de cabeça e alteração no reflexo de ameaça. É vital lembrar que o reflexo de ameaça é um comportamento aprendido e pode estar ausente em potros com menos de duas semanas de vida.

Avaliação de Reflexos Pupilares e Patologias Associadas

A avaliação do nervo óptico em cavalos pode ser realizada por meio dos reflexos de ameaça e pupilar. O nervo oculomotor é responsável pela constrição da pupila, de modo que sua lesão provoca alteração no tamanho pupilar. Lesões no nervo oculomotor podem causar ausência de miose ou uma miose mais lenta, além de estrabismo lateral e ptose palpebral. Devido à posição lateralizada dos olhos nos equinos, a avaliação do reflexo consensual exige um assistente para observar o olho contralateral, sendo idealmente realizadas por duas pessoas.

Complementarmente, o exame clínico detalhado da região da cabeça auxilia no diagnóstico de meningite em cavalos, havendo casos em adultos associados a sinusites, que ocorrem por infecção ascendente através dos pares de nervos cranianos até o sistema nervoso central.

Avaliação dos Nervos Trigêmeo e Abducente

O nervo troclear (IV) e o nervo abducente (VI) são responsáveis pela movimentação de músculos extraoculares; lesões no IV par resultam em estrabismo dorsomedial, enquanto danos no VI par causam estrabismo medial, perda do reflexo de retração do globo ocular e ausência do reflexo corneano. O nervo trigêmeo (V) possui três ramos: oftálmico, maxilar e mandibular. O ramo oftálmico é responsável pela sensibilidade ocular, testada pelos reflexos palpebral e corneano.

O ramo maxilar é responsável pela sensibilidade da face e especificamente pela inervação sensitiva da região do focinho do cavalo. Já o ramo mandibular é motor; a integridade do ramo mandibular é verificada pela tonicidade dos músculos masseteres e pela capacidade de apreensão e mastigação. Lesões no ramo mandibular podem causar atrofia unilateral do músculo masseter.

Anatomia e Lesões do Nervo Facial

O nervo facial (VII), o sétimo par de nervos cranianos, possui funções sensitivas e motoras, sendo sua porção motora responsável pela movimentação da musculatura da orelha, da pálpebra e do focinho. Adicionalmente, o nervo facial regula a produção de saliva e a inervação das glândulas oculares e salivares, sendo que a ocorrência de olho seco em cavalos pode ser indicativa de lesão nesse par craniano.

A paralisia facial manifesta se por ptose labial, de orelha e palpebral, além de desvio do focinho para o lado contralateral à lesão; o nervo também auxilia nos reflexos palpebral e corneano.

Síndrome Vestibular e Manifestações em Potros

O nervo vestibulococlear (VIII) é o oitavo par de nervos cranianos, sendo sua porção vestibular responsável pela postura, equilíbrio e posição da cabeça. Afecções vestibulares resultam em nistagmo e ataxia, com o animal podendo andar em círculos irregulares, pequenos e incompletos, frequentemente acompanhados de quedas, interrupções no caminhar, encostar a cabeça na parede e desvio cefálico para o mesmo lado da lesão. Esse comportamento de andar em círculos é frequente tanto em lesões vestibulares quanto em lesões encefálicas.

Em potros, comportamentos como andar em círculos, pressão da cabeça contra objetos ( head pressing ) e inclinação da cabeça chamam a atenção para quadros neurológicos. Sinais clínicos como cegueira, alteração do tamanho pupilar, nistagmo, paralisia neurofacial e opistótono (caracterizado pelo pescoço estendido e flexionado para cima) são anormais e indicativos de patologia nestes animais jovens.

Nervos Caudais e Função da Deglutição

Os nervos glossofaríngeo (IX), vago (X) e acessório (XI) atuam na deglutição e na motilidade laríngea e faríngea. Os últimos quatro pares de nervos cranianos cruzam a região da bolsa gutural em cavalos e lesões nessa área podem causar alterações na mastigação e na deglutição, ressaltando que a disfagia pode estar especificamente associada a uma lesão no décimo par (vago).

Já o nervo hipoglosso (XII) controla a motricidade da língua; sua avaliação inclui observar a simetria lingual e a capacidade de retração da língua após a tração manual. A atrofia ou paralisia de língua pode estar associada a uma lesão no nervo hipoglosso (décimo segundo par de nervos cranianos).

Avaliação Medular e Locomoção

Reflexo do Panículo e Avaliação Medular

A avaliação do tronco em equinos é composta pelo exame do reflexo espinhal, avaliação muscular da coluna, análise da postura e o teste do reflexo do panículo (cutâneo do tronco). Para testar o panículo, utiliza se um objeto pontiagudo não traumático; o achado clínico característico é uma resposta exagerada cranial à lesão medular e ausente (negativa) caudal a ela, o que auxilia na localização precisa do problema.

A avaliação da região perineal requer a verificação do reflexo anal, do reflexo vesical, do tônus da cauda e da continência urinária ou fecal. Lesões na região lombossacral ou na síndrome da cauda equina resultam frequentemente em perda de controle, manifestando se por incontinência fecal e urinária, alteração na sensibilidade do períneo e na posição da cauda.

Em casos de fraturas na região lombar, o animal pode apresentar paralisia espástica e contratura da musculatura dos membros pélvicos. Além disso, uma lesão medular lombar tem o potencial de reduzir a sensibilidade do períneo, embora o paciente ainda consiga manter alguma função motora residual na cauda.

Semiologia da Locomoção: Ataxia e Paresia

Para uma correta localização neuroanatômica, é fundamental distinguir os padrões de alteração na locomoção do cavalo:

  • Ataxia: Incoordenação motora e falha na propriocepção, resultando em balanço excessivo do corpo e passadas irregulares.
  • Paresia: Fraqueza muscular que dificulta a elevação dos membros, levando o animal a arrastar as pinças e tropeçar.
  • Espasticidade: Aumento do tônus muscular com passos rígidos e curtos, frequentemente associada à hipermetria.
  • Hipermetria: Caracterizada por uma tensão articular exagerada durante a movimentação.
  • Elevação da Cabeça: Manobra utilizada durante a condução para exacerbar sinais de ataxia de origem central, auxiliando na diferenciação de problemas mecânicos.

Lesões Cervicais e Síndrome de Wobbler

A distribuição de déficits motores orienta a localização neuroanatômica na medula espinhal. Lesões medulares entre os segmentos C1 e C6 afetam todos os membros do animal, sendo que os membros pélvicos costumam ser os mais gravemente afetados. Lesões na medula cervical de cavalos provocam paralisia e alterações na coordenação motora dos membros pélvicos.

As lesões medulares situadas entre os segmentos C6 e T2 também afetam todos os membros do animal, com possibilidade de piora nos membros pélvicos. Um exemplo clínico relevante é a Síndrome de Wobbler, que consiste na compressão da medula cervical, sendo comum em cavalos da raça Puro Sangue Inglês em crescimento.

Na Síndrome de Wobbler, o tratamento é estritamente cirúrgico, podendo haver lesão entre C3 e C5 com incoordenação motora nos membros pélvicos ou acometimento dos quatro membros.

Lesões Medulares Toracolombares e Sacrais

Em lesões medulares ocorridas do segmento T3 para trás, somente os membros pélvicos do animal são afetados. Portanto, o acometimento locomotor restrito aos membros pélvicos aponta para uma lesão medular localizada caudalmente à segunda vértebra torácica.

Mais caudalmente, a ocorrência de incontinência fecal e urinária é mais frequente em lesões medulares localizadas caudalmente à terceira vértebra lombar ( L3 ). Nesses casos, a perda do controle esfincteriano torna se evidente no quadro clínico.

As alterações sacrais em cavalos não geram comprometimento locomotor, mas podem provocar comprometimento da micção e da defecação devido à perda do controle esfincteriano.

Lesões de Nervos Periféricos

É fundamental observar que a fraqueza e a atrofia localizada, quando acompanhadas de perda de sensibilidade, indicam uma lesão de nervo periférico ou doença no neurônio motor inferior. Um ponto crítico de diagnóstico é que a paralisia do nervo radial, a fratura de olécrano e a luxação escapuloumeral são as principais causas da perda da capacidade de estender o membro torácico. Devido à sua localização anatômica sobre a crista da escápula, em uma região muito próxima à pele, o nervo radial é altamente suscetível a lesões compressivas em cavalos mantidos em decúbito lateral prolongado sem proteção adequada.

Principais Enfermidades Neurológicas

Meningite em Potros e Fatores de Risco

A maioria das principais enfermidades neurológicas em cavalos são doenças infectocontagiosas. Frequentemente, esses quadros exibem sinais clínicos semelhantes, o que dificulta a diferenciação entre causas infecciosas e tóxicas. No contexto das infecções bacterianas, as meningites são diagnosticadas com maior frequência em potros do que em adultos. Isso ocorre porque a imaturidade do sistema imune e a imaturidade da barreira hematoencefálica facilita a translocação bacteriana de patógenos para o sistema nervoso central.

O período de maior vulnerabilidade para esses animais é entre a primeira e a segunda semanas de vida. Em potros, especialmente entre a primeira e segunda semanas de vida, a meningite geralmente se desenvolve associada à septicemia por enterobactérias gram negativas, podendo acometer até 10% dos animais septicêmicos.

Meningite em Adultos e Focos de Infecção

Diferente do que se observa nos neonatos, a ocorrência de meningite em cavalos adultos costuma estar vinculada a processos infecciosos ou traumáticos na região da cabeça. Em adultos, a infecção pode ser secundária a sinusites, infecções da bolsa gutural (como o empiema agudo ou crônico) ou traumas cranianos diretos, que possibilitam a colonização do sistema nervoso central por bactérias.

O quadro clínico pode incluir febre de origem desconhecida, descarga nasal em casos de sinusite e até alterações claudicantes. Nesses casos, a sinusite pode estar associada à descarga nasal, e alterações oculares secundárias podem ocorrer pela proximidade anatômica do sistema nervoso central com a órbita. A infecção meníngea provoca um aumento de pressão que comprime o sistema nervoso.

Fisiopatologia, Sintomatologia e Prognóstico

A colonização das meninges resulta em uma reação inflamatória severa e aumento da pressão intracraniana. Os sinais clínicos em potros incluem febre, anorexia, letargia acentuada, ataxia e dor cervical com relutância em movimentar o pescoço. No entanto, embora os sinais envolvam o sistema nervoso de forma generalizada, eles não fornecem um diagnóstico clínico preciso isoladamente.

A enfermidade é de difícil tratamento tanto em equinos quanto em humanos, apresentando alta mortalidade e risco de sequelas permanentes devido ao diagnóstico tardio. Muitos animais que sobrevivem à fase aguda permanecem com danos neurológicos ou evoluem para óbito tardio pela gravidade das lesões.

Em exames post mortem, os achados de necropsia em casos graves revelam pus nas meninges e abscessos que podem comprometer a medula espinhal, evidenciando o caráter supurativo e destrutivo da infecção.

Desafios da Barreira Hematoencefálica

O tratamento da meningite equina baseia se fundamentalmente no uso combinado de antibióticos potentes e anti inflamatórios, sendo a associação de antibioticoterapia maciça com corticoides a principal estratégia clínica. A eficácia desse tratamento depende diretamente da capacidade do fármaco em atravessar a barreira hematoencefálica (BHE), que atua limitando ativamente a passagem de substâncias para o sistema nervoso central. Penicilinas e cefaloasporinas, por exemplo, possuem baixa penetração com a barreira íntegra, conseguindo atravessá la de forma expressiva apenas quando há inflamação local.

Entre o arsenal terapêutico indicado, destacam se a sulfa com trimetoprima, doxiciclina, cloranfenicol, rifampicina, metronidazol e macrolídeos como a azitromicina. É crucial que a antibioticoterapia seja de longa duração, não devendo ser cessada imediatamente após a resolução dos sintomas clínicos para prevenir recidivas graves da infecção.

Particularidades dos Antimicrobianos na Meningite

Para garantir a transposição da barreira líquor, as penicilinas devem ser administradas em altas doses ou frequências elevadas, com intervalos de 6, 8 a 12 horas. Outras opções incluem as cefalosporinas de terceira geração, como o ceftiofur, embora sua penetração possa ser reduzida em certos cenários. Já as quinolonas, apesar de eficazes no sistema nervoso central, são contraindicadas em potros.

O cloranfenicol é notável pela excelente penetração na barreira hematoencefálica e em abscessos devido ao seu baixo peso molecular. Contudo, seu uso possui severas restrições comerciais por ser tóxico para humanos, com risco de causar anemia aplásica na medula óssea. Por isso, é obrigatório o uso de equipamentos de proteção individual, como luvas e máscaras, ao manipular este fármaco.

Terapia Anti inflamatória e Suporte Neurológico

Na fisiopatologia da meningite, o dano neurológico permanente é causado principalmente pela liberação de enzimas proteolíticas pelos neutrófilos, superando o impacto da bactéria direta. O uso precoce de corticoides é vital para interromper essa cascata e prevenir lesões no sistema nervoso central, assim como ocorre em casos de pneumonia equina. Uma recomendação crucial é iniciar o corticoide previamente ou de forma concomitante ao antimicrobiano, pois a lise bacteriana isolada libera toxinas que exacerbam a inflamação.

Como suporte para reduzir o edema cerebral, utiliza se o DMSO por sua ação anti inflamatória, além do manitol associado a anti inflamatórios não esteroidais em casos selecionados. Se o paciente apresentar convulsões secundárias, o diazepam (decepan) é o fármaco indicado para o controle clínico desses quadros.

Etiologia e Investigação de Campo da Intoxicação

Etiologia e Investigação da Leucoencefalomalácia

A leucoencefalomalácia é uma doença neurológica central encefálica causada pela intoxicação por fungos do gênero Fusarium, como o mofato (contaminação comum que causa alteração neurológica central encefálica), decorrente da ingestão de milho contaminado pelo Fusarium moniliforme, produtor das fumonisinas B1 e B2. Embora seja um alimento energético, o milho possui baixo teor proteico e nutritivo para os cavalos. Convém ressaltar que ruminantes e suínos são resistentes à intoxicação por Fusarium moniliforme, sendo mais afetados por fungos que causam distúrbios reprodutivos.

Quando vários animais apresentam sinais de forma súdita e simultânea, é crucial investigar causas alimentares ou infecciosas, sendo o histórico de ingestão e a visita ao armazenamento do milho essenciais para o diagnóstico diferencial. Essa investigação de campo é fundamental para identificar a fonte de contaminação e interromper a ingestão das toxinas fúngicas.

Manifestações Clínicas e Neuropatologia da Doença

A Leucoencefalomalácia Equina e a encefalopatia hepática são enfermidades neurológicas importantes e graves em cavalos. Na leucoencefalomalácia, o prognóstico é desfavorável, com alta taxa de mortalidade. A toxina provoca a chamada leuco encérculomalácia, caracterizada pela necrose por liquefação da substância branca do sistema nervoso central. Os sinais clínicos surgem abruptamente e incluem cegueira cortical, comportamento compulsivo, head pressing (pressão de cabeça contra objetos), paralisia glossolabial, paralisia de língua, déficit proprioceptivo leve, ataxia, tremores e andar em círculos.

O período de manifestação clínica costuma durar em torno de três dias, com mortes ocorrendo frequentemente nas primeiras 24 horas devido à paralisia dos centros respiratórios. Em relação a outras estruturas, o nervo facial é o responsável pela inervação das glândulas lacrimais no cavalo. Adicionalmente, a ingestão da planta Hypochaeris radicata pode induzir o esparavão, uma degeneração neurológica periférica que causa hipermetria (contratura exagerada do membro).

Diagnóstico Laboratorial, Prognóstico e Manejo Terapêutico

O curso da doença é rápido: o período de manifestação clínica costuma durar em torno de três dias, com mortes ocorrendo frequentemente nas primeiras 24 horas devido à paralisia dos centros respiratórios. Laboratorialmente, observa se elevação de enzimas hepáticas como a GGT (mencionada como IGT), devido ao metabolismo hepático da toxina, sendo que alguns cavalos podem apresentar alterações cardíacas detectáveis pelo marcador troponina 1 (ou trocina um).

O tratamento é paliativo, recorrendo se a corticoides, manitol e cálcio, pois não há cura disponível. O desfecho é sombrio, com sequelas graves em sobreviventes que incluem incoordenação motora e alterações permanentes na deglutição e mastigação, as quais são frequentemente incompatíveis com a vida.

Ciclo Biológico e Hospedeiros do Parasita

A Mieloencefalite Protozoária Equina (MEP), popularmente conhecida como bambeira, é a enfermidade neurológica diagnosticada com maior frequência em equinos.

  1. Hospedeiro definitivo: O gambá (gênero Didelphis ) abriga o Sarcocystis neurona, onde o parasito realiza a reprodução sexuada em seu trato intestinal.
  2. Disseminação ambiental: As fezes do gambá contaminam a água e o alimento com os protozoários, tornando se a via de infecção para outros animais.
  3. Hospedeiros intermediários: Animais como o tatu, o racum e o próprio gambá fecham o ciclo biológico ao ingerir fezes ou material contaminado.
  4. Variante Neospora: No caso do Neospora hughesi, outra espécie associada à doença, o cão desempenha um papel fundamental em seu ciclo biológico.
  5. Restrição geográfica: Por depender da distribuição do gênero Didelphis como hospedeiro definitivo, a enfermidade é exclusiva das Américas.

Mecanismos de Transmissão e Patogenia

A contaminação pela Mieloencefalite Protozoária Equina ocorre por via fecal oral, quando o cavalo ingere água ou alimento contaminados com fezes de gambá contendo esporocistos. Nesse ciclo, o equino é um hospedeiro errático e aberrante, pois o Sarcocystis neurona se aloja no sistema nervoso central (SNC) sem completar seu ciclo biológico, provocando os sinais típicos da doença.

O protozoário se multiplica em diversos órgãos e no sistema nervoso central por meio de neurônios e células inflamatórias, alojando se no SNC e provocando sinais típicos. Curiosamente, o próprio sistema imune do hospedeiro causa danos à medula espinhal ao tentar combater o invasor. O surgimento de lesões associa se a períodos de estresse, como competições ou a imunossupressão fisiológica da gestação em éguas.

Manifestações Clínicas e Localização de Lesões

Os sinais clínicos da enfermidade dependem da localização das lesões. As lesões ocorrem preferencialmente na medula espinhal, sendo raras nos membros torácicos e focadas na região pélvica. O quadro clássico envolve ataxia e atrofia muscular, sendo que o membro pélvico é o mais afetado por essa perda de massa muscular.

Quando o encéfalo é atingido, observam se paralisia facial (palpebral e labial), ceratoconjuntivite seca, disfagia e atrofia lingual com perda de sensibilidade. Além disso, alterações nos plexos neurais podem ainda causar sudorese localizada exagerada na pele do animal.

Diagnóstico Diferencial e Métodos de Laboratório

Devido à dificuldade de exames imediatos, o diagnóstico geralmente é clínico, baseado na observação do animal andando. Contudo, métodos laboratoriais e a análise do líquor são fundamentais para refinar a suspeita.

Método ou AmostraResultadoSignificado Clínico
Sorologia (Soro)PositivoIndica exposição prévia; não confirma infecção ativa.
Sorologia (Soro)NegativoIndica ausência de contato com o parasito.
Análise de LíquorPositivoAponta infecção ativa no sistema nervoso central.
Western BlotSoro ou LíquorO líquor é considerado a melhor opção diagnóstica.
Exame Pós morteImuno histoquímicaDiagnóstico de certeza e caráter definitivo.

O diagnóstico definitivo requer a identificação microscópica de áreas hemorrágicas na medula espinhal.

Tratamento Precoce e Prognóstico Clínico

A Mieloencefalite Protozoária Equina (MEP) impõe um desafio de controle rigoroso devido à impossibilidade de erradicar os gambás das propriedades e à ausência de vacinas protetoras. Diante da suspeita clínica, deve se instituir imediatamente o tratamento com coccidiostáticos de alta eficiência, como o ponazuril, diclazuril ou toltrazuril. Quando iniciado precocemente, um protocolo de aproximadamente 28 dias costuma ser suficiente para a melhora física e evolução sem sequelas. Contudo, atrasos na terapia são críticos: o tratamento tardio pode apenas estabilizar a lesão, mantendo o animal com incoordenação irreversível, o que inviabiliza permanentemente sua utilização esportiva ou reprodutiva.

Sensibilidade Equina e Portas de Entrada

O cavalo é a espécie mais sensível à exposição ao tétano, uma enfermidade grave causada pelo Clostridium tetani. Esta bactéria anaeróbia faz parte da flora intestinal do próprio equino, o que torna locais com acúmulo de fezes ambientes de grande risco para a infecção.

O patógeno secreta três toxinas, sendo a tetolisina e a tetanospasmina as mais importantes. A tetolisina atua reduzindo a tensão de oxigênio local para criar um ambiente favorável à multiplicação bacteriana. Entre as principais portas de entrada estão os abscessos na sola do casco e procedimentos cirúrgicos como a castração (a cirurgia mais comumente envolvida), especialmente quando realizada em animais não imunizados.

Mecanismo de Ação e Bloqueio Sináptico

A tetanospasmina é a toxina responsável pela lesão do sistema nervoso central que caracteriza o tétano. O processo segue estas etapas:

  1. Migração Axonal: A toxina não atinge o sistema nervoso central diretamente, realizando uma migração retrógrada axonal ao longo de vários dias, o que permite que a lesão original já tenha cicatrizado antes do início dos sinais clínicos.
  2. Ligação Medular: Ao atingir o sistema nervoso central, a toxina liga se de forma irreversível ao interneurônio inibitório da medula espinhal.
  3. Bloqueio GABAérgico: Ocorre a inibição do relaxamento muscular, pois o sistema gabaérgico atua como o sistema inibitório do organismo.
  4. Espasticidade Muscular: A inibição do interneurônio inibitório pela toxina mantém o animal em uma contração muscular permanente.
  5. Regeneração Neuronal: A recuperação é lenta porque o organismo do cavalo precisa sintetizar novos interneurônios para restabelecer o controle muscular.

Evolução dos Sinais Clínicos e Gravidade

Progressão e Manifestações do Tétano

Os primeiros sinais clínicos do tétano costumam aparecer na face do cavalo, manifestando se por meio de orelhas eretas e trismo mandibular. Outro sinal clínico evidente e típico é o prolapso da terceira pálpebra, acompanhado da cauda em "bandeira", que ocorre devido à contração muscular que mantém a cauda elevada.

Com o avanço da doença, os sinais progridem para a musculatura torácica e pélvica, causando rigidez generalizada e a típica posição de cavalete. A contração simultânea e violenta de músculos flexores e extensores pode inclusive provocar fraturas ósseas.

Nos sinais terminais, o animal torna se incapaz de se levantar, andar ou correr. Quando o cavalo entra em decúbito, o prognóstico torna se altamente reservado, evoluindo frequentemente para óbito devido à paralisia da musculatura respiratória.

Diagnóstico Diferencial e Conduta Terapêutica

Diretrizes de Diagnóstico e Terapia

O diagnóstico do tétano em cavalos é eminentemente clínico, pois não é possível dosar a toxina no organismo do animal; o mesmo ocorre no botulismo, que difere fisiopatologicamente por atingir a placa neuromuscular periférica. O suporte exige que o animal seja mantido em um ambiente totalmente silencioso para evitar novos espasmos.

O tratamento de escolha inclui o metronidazol, antibiótico mais recomendado para bactérias anaeróbicas, e o soro antitetânico em doses de 10.000 UI/dia por 5 dias. A administração intratecal não traz diferença clínica significativa. Para a profilaxia, a dose preventiva de 2.500 UI de soro garante proteção temporária por duas a três semanas.

Abordagem Inicial das Encefalomielites Virais

Diante de quadros neurológicos em cavalos adultos, deve se sempre suspeitar de raiva como prioridade. Os principais diferenciais incluem a encefalopatia hepática e as Encefalomielites Virais (Leste, Oeste e Venezuelana). Estas últimas são exclusivas do continente americano, ocorrendo do Canadá à Argentina.

O ciclo dessas doenças é mantido por aves migratórias que transportam o vírus da América do Norte para o hemisfério sul. Historicamente, tanto a variante do Leste quanto a do Oeste foram isoladas e diagnosticadas nos Estados Unidos na década de 1930, em suas respectivas regiões litorâneas.

Transmissão e o Papel Sentinela

O ciclo epidemiológico das encefalomielites baseia se na transmissão indireta através de mosquitos vetores dos gêneros Culex, Aedes e Anopheles. Os cavalos desempenham um papel de animais sentinelas, pois manifestam os sinais clínicos da infecção antes dos seres humanos, alertando para a presença viral.

Na tropa equina, essas infecções resultam em elevada morbidade e altas taxas de mortalidade. É fundamental notar que a Febre do Oeste do Nilo não é endêmica no Brasil, apresentando apenas registros isolados e pontuais de infecção, como os observados no estado do Paraná.

Variante Venezuelana e Profilaxia Vacinal

A variante venezuelana foi isolada inicialmente na floresta amazônica, na fronteira entre Venezuela, Brasil e Colômbia, e destaca se como a forma mais patogênica e mortal. Um detalhe crítico é que a transmissão direta do cavalo para o ser humano ocorre exclusivamente nesta variante, embora a transmissão direta entre equinos seja considerada rara.

Devido ao seu potencial como arma biológica, a vacinação humana é restrita apenas a profissionais de laboratório. No Brasil, o protocolo vacinal preventivo para cavalos contempla apenas as variantes Leste e Oeste. Por esse motivo, os casos humanos são menos frequentes no sul do país do que na região amazônica, onde há maior proximidade com o ciclo silvestre.

Paralisia do Nervo Facial em Equinos

A paralisia do nervo facial em equinos é uma condição frequente e geralmente não grave. Ela pode ser desencadeada por micoses da bolsa gutural, traumas diretos ou pressão do cabresto em animais mantidos em decúbito lateral durante a anestesia. Os sinais clínicos incluem ptose palpebral e labial, mas o desvio de focinho é a manifestação mais comum.

Um cuidado essencial envolve a proteção ocular: como apenas a pálpebra superior do equino é móvel, o déficit de lubrificação resultante da paralisia pode levar ao desenvolvimento de uma úlcera corneal ventral. Assim, a monitoria da superfície ocular é indispensável para evitar complicações secundárias.

Métodos Complementares de Diagnóstico

Técnicas e Desafios da Coleta de Líquor

A coleta de líquido cefalorraquidiano (líquor) em cavalos é uma ferramenta laboratorial valiosa para identificar alterações em doenças infecciosas e metabólicas do Sistema Nervoso Central. No entanto, o procedimento é tecnicamente desafiador, especialmente se realizado no sítio lombossacro (com o animal em estação), devido à profundidade da estrutura e às reações imprevisíveis do paciente. Para o acesso lombar, é necessário utilizar uma agulha de, no mínimo, 20 cm.

Outra opção é a coleta no forame magno, contudo, a coleta no forame magno eleva o risco de lesão medular grave. Vale ressaltar que, embora seja útil em quadros infecciosos, esta análise identifica alterações em processos infecciosos ou metabólicos, mas possui valor diagnóstico limitado em casos de trauma, onde o rendimento da análise liquórica é menor.

Diagnóstico por Imagem do Sistema Nervoso

Na rotina neurológica equina, as radiografias cervicais são úteis e plenamente viáveis. Entretanto, o ultrassom tem aplicação restrita no sistema nervoso central pela proteção óssea, sendo mais útil em nervos periféricos; já radiografias além da região cervical demandam equipamentos potentes devido à sobreposição de estruturas anatômicas, o que limita sua eficácia para a região torácica em diante.

Atualmente, tomografia e ressonância magnética já permitem avaliar o encéfalo e o SNC de equinos. Tais exames de imagem avançada permitem avaliar o encéfalo, porém o posicionamento da coluna de potros em tomógrafos é tecnicamente complexo, o que representa um desafio logístico importante na prática clínica.

Manifestações Clínicas da Encefalomielite

A encefalomielite equina é uma enfermidade de alta morbidade e mortalidade, caracterizada por um curto período de incubação e pela ausência de cura. O agente infeccioso demonstra um tropismo primário pelo encéfalo, acometendo o órgão antes da medula espinhal. Clinicamente, o cavalo apresenta febre, apatia, pressão de cabeça, agressividade, andar em círculos e cegueira.

Tais exames de imagem avançada permitem avaliar o encéfalo, porém o posicionamento da coluna de potros em tomógrafos é tecnicamente complexo. Em casos de suspeita de encefalomielite equina — zoonose de alta morbidade, mortalidade e curto período de incubação —, o líquor pode exibir pleocitose por neutrófilos e mononucleares, proteínas elevadas e xantocromia. O diagnóstico é laboratorial (sorologia, PCR em tecido cerebral ou líquor), pois os sinais clínicos (febre, apatia, pressão de cabeça, cegueira, agressividade e andar em círculos) assemelham se à leucoencefalomalácia. É fundamental notar que, uma vez que o animal entra em decúbito, a evolução para o óbito é considerada inevitável.

Variantes e Aspectos Epidemiológicos

A encefalomielite equina não é apenas uma preocupação veterinária, mas uma zoonose relevante que apresenta comportamentos distintos conforme sua variante epidemiológica:

  • Zoonose: a encefalomielite equina é classificada como uma doença transmitida de animais para humanos, exigindo atenção redobrada da saúde pública.
  • Variante Venezuelana: é considerada a forma mais grave da enfermidade e a única em que a transmissão ocorre diretamente do cavalo para o ser humano.
  • Variante Leste: representa a variante mais frequente na América do Sul, sendo a responsável pela quase totalidade dos surtos registrados no Brasil.
  • Armas biológicas: as variantes Leste e Oeste são apontadas tecnicamente como potenciais agentes para uso como armamento biológico.

Diagnóstico Laboratorial e Conduta

Confirmação e Manejo Clínico

O diagnóstico de encefalomielite equina é necessariamente confirmado por exames laboratoriais, visto que não é possível diferenciar clinicamente as encefalomielites de outras afecções neurológicas sem avaliar cuidadosamente o histórico de vacinação do paciente. Para a identificação do agente, o vírus pode ser detectado por meio de exames de anticorpos no soro, líquor ou encéfalo, além da realização de testes de PCR especificamente em amostras de tecido cerebral.

Na análise laboratorial do líquido cefalorraquidiano, os achados patognomônicos podem evidenciar proteínas elevadas, xantocromia e pleocitose com aumento de células mononucleares e neutrófilos. Esses parâmetros auxiliam na triagem diagnóstica enquanto se aguarda a confirmação definitiva.

Como o tratamento para a encefalomielite equina é puramente de suporte ou paliativo, indica se a administração de corticoides logo no início do quadro clínico para controle inflamatório. Devido ao potencial risco biológico, recomenda se o uso de luvas de proteção para o manejo de qualquer cavalo sob suspeita da enfermidade.

Prevenção Vacinal e Eutanásia Humanitária

A vacinação é o único método eficaz de prevenção contra a encefalomielite equina, com imunizantes disponíveis no Brasil que geralmente estão associados às vacinas de tétano e influenza. Vale destacar que a vacina humana é restrita apenas a profissionais que manipulam o vírus em laboratório. Para animais que atingem o estado de decúbito, a eutanásia é indicada para abreviar o sofrimento, mas nunca deve ser realizada com a injeção de lidocaína, pois esse fármaco pode prejudicar os resultados do exame patológico essencial para o diagnóstico definitivo.

Fisiopatologia do Herpesvírus Equino

O herpesvírus equino, englobando principalmente os sorotipos 1 e 4, é uma causa fundamental de problemas respiratórios, neurológicos e reprodutivos. Ele é amplamente reconhecido como a principal causa de abortamento infeccioso em éguas. Quando a doença atinge o sistema nervoso, a patologia é classificada como uma mieloencefalite.

O agente apresenta um tropismo marcante por gânglios e pela medula espinhal. Um aspecto relevante na sua progressão é que o patógeno apresenta maior predileção pela medula espinhal antes de acometer o encéfalo, o que direciona a ordem de aparecimento dos sinais clínicos.

Sinais Clínicos e Fatores de Risco

O surgimento da doença clínica por herpesvírus equino está intimamente ligado a fatores de estresse, como transporte, manejo inadequado, introdução de novos animais e imunossupressão. O agrupamento ou amontoamento de cavalos ( crowding ) é um fator de risco importante para a propagação. Devido a questões imunológicas, os animais jovens apresentam maior risco, e a análise do histórico de estresse por transporte é crucial para o diagnóstico.

Em éguas, a infecção frequentemente se manifesta através de quadros respiratórios ou abortos. Já na mieloencefalite viral equina, os sinais clínicos costumam envolver o plexo sacral, com uma predileção clara por acometer os membros pélvicos e causar quadros de incontinência fecal e urinária.

Diagnóstico de Laboratório e Tratamento

Para o diagnóstico prático em surtos, recomenda se o PCR de sangue total (em EDTA) ou swab nasal. O isolamento viral em swab nasal é eficaz no início clínico, mas deve se notar que um PCR negativo em amostras tardias de swab nasal não descarta a infecção. O PCR sanguíneo é indicado se houver sinais de viremia (febre). Vale lembrar que a sorologia é incapaz de diferenciar anticorpos vacinais de infecção natural. Outros achados laboratoriais incluem a xantocromia no líquor (sugestiva de vasculite) e, no hemograma, anemia e linfopenia de etiologia viral. O suporte terapêutico visa mitigar danos vasculares com heparina, aspirina e vitamina E, enquanto o uso de corticoides em doses elevadas ainda apresenta resultados clínicos conflitantes.

Protocolos Vacinais contra EHV

A vacinação contra o Herpesvírus Equino (EHV) varia conforme a categoria animal, visando a proteção individual ou a imunidade passiva para o neonato.

  • Machos (castrados ou garanhões): o protocolo de prevenção é baseado em duas doses iniciais com reforço anual.
  • Éguas gestantes (objetivo): a vacinação estratégica busca garantir a transferência de anticorpos pelo colostro para proteger o potro neonato.
  • Éguas gestantes (protocolo): aplicação de três doses, administradas especificamente no quinto, sétimo e nono meses de gestação.

Meningite em Potros e Toxinas Fúngicas

O diagnóstico definitivo de meningite em cavalos depende obrigatoriamente de apoio laboratorial, com a coleta e o envio de amostras de sangue e de líquido cefalorraquidiano (líquor). É importante notar que, embora o hemograma isolado possa indicar um quadro de infecção sistêmica, ele não confirma o diagnóstico de meningite.

A cultura do líquor representa um método diagnóstico fundamental para a doença, mas um resultado negativo não descarta a meningite, devido à possibilidade de baixa contaminação na amostra coletada. Durante a análise desse líquido, é possível evidenciar pleocitose, caracterizada pelo aumento de neutrófilos e proteínas. Além da identificação inicial, a análise laboratorial e a cultura do líquor são os métodos ideais para monitorar a eficácia e orientar a duração do tratamento.

Em casos suspeitos de origem fúngica, a dosagem direta da toxina no sangue é muito difícil de ser realizada, permanecendo como um desafio laboratorial oferecido por pouquíssimos estabelecimentos.

Reflexão Sion

O Suporte que nos Mantém de Pé

No exame neurológico equino, vemos que lesões medulares graves retiram do cavalo a capacidade de se sustentar em pé, comprometendo seu equilíbrio. De forma semelhante, muitas vezes enfrentamos abalos invisíveis que esgotam nossas forças e nos impedem de seguir adiante sozinhos. Nesses momentos de fragilidade, descobrimos em Jesus o sustento seguro que nos ampara e nos coloca novamente de pé.

Se cair, não ficará prostrado, pois o Senhor o segura pela mão.Salmos 37:24

Leia este versículo e medite sobre o verdadeiro suporte para a sua vida.

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