Sion Academy
Transtornos Gastrointestinais e Hepáticos em Equinos: Fisiopatologia, Diagnóstico e Manejo Clínico Cirúrgico
Esquema anatômico do sistema digestório equino.
Topicos da aula
- Doenças do Sistema Digestório
Introdução às Afecções Gastrointestinais Equinas
O intestino delgado desempenha um papel essencial como via de trânsito alimentar, permitindo que os nutrientes avancem para a fermentação que ocorre no intestino grosso.
O íleo possui características anatômicas únicas, destacando se pela inserção medial no ceco e pela presença de uma camada muscular proeminente.
Compactação de Íleo: Etiologia e Fatores de Risco
- Frequência relativa: as compactações no intestino delgado são menos frequentes do que as compactações do colo maior.
- Ingestão de capim Bermuda: apontada pela literatura norte americana como uma das principais causas de compactação de íleo.
- Qualidade do pasto: o fornecimento de forragem muito rica em lignina ou que já passou do ponto de colheita aumenta o risco de compactação.
- Clima e hidratação: condições de clima muito quente combinadas com baixa ingestão de água são fatores predisponentes para compactações de cólon e íleo.
- Parasitismo por Anoplocephala perfoliata: infecções maciças por esta tênia, que possui predileção pela válvula ileocecal, predispõem o animal à compactação.
- Parasitismo por Strongylus vulgaris: a migração de larvas do estágio L4 altera o padrão de motilidade intestinal, contribuindo para o quadro de obstrução.
- Anatomia funcional: o íleo é responsável pelo trânsito do alimento para o ceco e colo maior, realizando a sua inserção na porção medial do ceco.
Hipertrofia Muscular e Fisiologia do Íleo
O íleo é o segmento do intestino delgado com a maior camada muscular e possui um marca passo responsável pelo controle fino da contração do órgão.
A hipertrofia compensatória do íleo ocorre quando o órgão realiza esforço excessivo para impulsionar o conteúdo luminal, o que predispõe à ocorrência de compactação. Como consequência, a luz do órgão pode ter seu volume reduzido a menos da metade do tamanho original.
Diagnóstico das Compactações de Íleo
A compactação de íleo apresenta sinais clínicos característicos, incluindo a distensão do intestino delgado e a presença de refluxo enterogástrico.
O quadro de dor associado a essa condição é classificado como moderado a severo.
O diagnóstico pode ser estabelecido através da palpação retal, realizada no lado direito da cavidade abdominal, próximo à região do ceco. Durante o exame, as alças de intestino delgado distendidas são percebidas como formações com aspecto de salsicha.
Manejo Terapêutico e Cirurgia de Bypass
- Tratamento clínico: Consiste em hidratação, controle da dor e fluidoterapia intravenosa ou oral.
- Indicação de bypass: Casos graves de compactação, hipertrofia muscular ou perda da motilidade ileal exigem cirurgias como a ligação jejuno cecal.
- Enterectomia: Procedimento essencial para remoção de segmentos em isquemia ou necrose, utilizando grampeadores para garantir rapidez na anastomose.
- Prognóstico: O pós operatório de cirurgias de bypass e intervenções gastrointestinais é geralmente reservado devido à redução do trânsito intestinal.
Fisiopatologia do Íleo Adinâmico Pós Operatório
O íleo adinâmico, termo utilizado na literatura moderna para descrever o antigo íleo paralítico, representa uma condição frequente em equinos, que são os animais mais suscetíveis a esse distúrbio em comparação com outras espécies domésticas.
A sua ocorrência está fortemente associada a traumas cirúrgicos, processos inflamatórios — como a duodenojejunite proximal — e quadros de endotoxemia. Durante procedimentos cirúrgicos, a manipulação intestinal e a exposição das alças ao ambiente, que causa o ressecamento da serosa, são fatores determinantes para o quadro.
A fisiopatologia é bifásica: inicia se com uma resposta neurogênica precoce caracterizada por lesão na junção neuromuscular e progride para um processo inflamatório tardio. Neste estágio, a migração de neutrófilos agrava as lesões na placa neuromuscular, retardando significativamente o restabelecimento da motilidade intestinal normal.
Impacto Sistêmico da Atonia Intestinal
A segunda fase do íleo pós operatório é caracterizada pela migração de neutrófilos, que liberam substâncias lisossomais responsáveis pela destruição da junção neuromuscular intestinal. Essa paralisia resulta no acúmulo de líquido no intestino delgado, impedindo sua progressão ao colo maior e causando rápida desidratação. Animais com atonia intestinal podem perder de 2 a 3 litros de refluxo por hora, volume que pode persistir por mais de 48 horas. Estima se que até 85% dos cavalos com lesão no intestino delgado desenvolvam o íleo dinâmico no pós operatório.
Fatores de Risco e Sinais de Motilidade
- Fatores pré operatórios: O aumento da proteína plasmática e da albumina são considerados fatores de risco para o desenvolvimento de íleo no cavalo.
- Procedimentos cirúrgicos: Lesões que envolvem ressecção e anastomose de intestino delgado são fatores predisponentes para íleo adinâmico.
- Idade do animal: Cavalos com cerca de 10 anos de idade são considerados fatores de risco para íleo pós operatório.
- Sinais clínicos: A ausência de sons intestinais de progressão indica falta de contração no intestino delgado.
Regulação Neurológica e Equilíbrio do Cálcio
A motilidade intestinal é regulada por fatores neurológicos, incluindo neurotransmissores colinérgicos como a acetilcolina, vinculados ao sistema parassimpático, e pelo hormônio motilina. Adicionalmente, a presença física de conteúdo no estômago e no intestino atua como um estímulo mecânico para o padrão de motilidade.
A deficiência de eletrólitos, especialmente o cálcio, influencia diretamente a motilidade intestinal. A falta de cálcio causa atonia intestinal porque a musculatura lisa possui pouca reserva de cálcio em comparação à musculatura esquelética. O jejum de 24 a 48 horas em cavalos causa deficiência aguda de cálcio pela incapacidade de mobilizar o mineral dos ossos rapidamente.
O restabelecimento da mobilidade intestinal é necessário para que o cavalo saia do ciclo de desidratação e refluxo enterogástrico. A isquemia e a distensão intestinal são fenômenos que podem ocorrer tanto em contextos pré cirúrgicos quanto pós cirúrgicos.
Dinâmica Autonômica na Motilidade
A regulação da motilidade intestinal é modulada pelo sistema nervoso autônomo. O aumento do tônus do sistema nervoso simpático, através da liberação de noradrenalina, resulta diretamente na diminuição da motilidade intestinal global.
De forma oposta, a redução do tônus parassimpático limita a liberação de acetilcolina, diminuindo o estímulo neurogênico necessário para a motilidade intestinal. A menor ação da acetilcolina na musculatura intestinal compromete diretamente a contratilidade do trato digestório.
Adicionalmente, lesões no íleo comprometem a motilidade do intestino delgado, visto que este segmento possui marca passos e placas neurogênicas essenciais para o funcionamento adequado. Em quadros de pós operatório com íleo paralítico, a manutenção de hidratação contínua é fundamental para evitar choque por desidratação.
Procinéticos Parassimpaticomiméticos
| Fármaco | Mecanismo de Ação | Ação Principal | Notas |
|---|---|---|---|
| Betanecol | Mimetiza a acetilcolina na fenda sináptica | Estímulo geral da motilidade | Considerado mais potente que a neostigmina; pode causar sudorese e desconforto |
| Neostigmina | Bloqueia a enzima acetilcolinesterase | Cólon maior | Estimula receptores pós sinápticos |
Comparativo entre os fármacos parassimpaticomiméticos utilizados no manejo da motilidade intestinal.
Antagonistas Dopaminérgicos e Outros Agentes
A metoclopramida atua como um antagonista dopaminérgico. Sua utilização requer cautela, pois pode causar efeitos extrapiramidais ao inibir a dopamina no sistema piramidal do sistema nervoso central.
Em cavalos, o desenvolvimento desses efeitos extrapiramidais pode resultar em um quadro de excitação severa, levando o animal a se jogar e ficar rodando sem controle.
Para minimizar riscos, a administração de metoclopramida deve ser feita preferencialmente de forma diluída em infusão lenta ou por via intramuscular, visando uma absorção mais lenta do fármaco.
Lidocaína e Eritromicina: Indicações Especiais
A lidocaína, quando administrada por via intravenosa, atua como procinético e anti inflamatório em cavalos, sendo comumente utilizada por meio de infusão contínua no período pós operatório. No entanto, sua administração exige monitoramento, pois apresenta leve cardiotoxicidade, demandando cuidado rigoroso com a dosagem aplicada.
A eritromicina é um antibiótico que estimula a motilidade gastrointestinal através de um efeito análogo à motilina. Além de sua atuação na motilidade, a eritromicina de uso humano é administrada por via oral para o tratamento de rodococose em potros.
Analgesia e Manejo de Descompressão Gástrica
- Analgésicos pós cirúrgicos: O tratamento envolve o uso de anti inflamatórios não esteroidais e analgésicos potentes.
- Controvérsia sobre opioides: O uso de agonistas alfa 2 e opioides é controverso, pois esses fármacos diminuem a motilidade intestinal.
- Mecanismo de receptores: Os receptores mu são responsáveis pelo controle e diminuição da motilidade intestinal no equino.
- Butorfanol: Atua como um antagonista de receptores mu.
- Tratamento do íleo adinâmico: Requer intervenção farmacológica com procinéticos que estimulem ou restabeleçam a motilidade intestinal.
- Descompressão gástrica: Realizada por meio de sondagem nasogástrica mantida por 24 horas.
- Complicações da sonda prolongada: Pode causar lesões na mucosa nasal e aumentar o risco de sinusite devido à sujidade da sonda.
- Manejo de pausas: Existe uma recomendação não consensual de manter o animal sem sonda por 4 horas diárias, embora a reintrodução cause grande desconforto.
Timpanismo de Ceco e Cólon Maior
O timpanismo no cavalo é um problema menos frequente do que em ruminantes e apresenta se predominantemente como uma condição secundária, sendo frequentemente associado a quadros de obstrução aboral. No manejo das afecções do intestino grosso, observa se uma ocorrência maior de casos clínicos do que de casos cirúrgicos.
As causas primárias de timpanismo são menos comuns no equino devido à digestão prévia dos carboidratos no intestino delgado. Contudo, podem ocorrer em animais submetidos a mudanças bruscas na dieta, consumo de capins muito novos ou dietas ricas em carboidratos.
A ingestão de capim pânico (Panicum maximum), planta abundante em regiões quentes do Brasil como Pará, Mato Grosso e Tocantins, é um fator determinante para o timpanismo primário. Nesses casos, a produção excessiva de gás pode acarretar complicações graves, como a ruptura gástrica.
Manifestações Clínicas do Gás Intestinal
- Eliminação de gases: O cavalo realiza a eliminação de gases por meio do flato e pela via retal.
- Compactação de colo maior: Condição que, geralmente, ainda permite ao animal eliminar uma parcela de gás.
- Deslocamento de colo maior: Causa uma obstrução mecânica que bloqueia o fluxo de gás pelo trato digestório.
- Timpanismo cecal primário: Quadro considerado raro, podendo ser provocado por mudanças dietéticas sem adaptação, ingestão de capins jovens ou dietas ricas em carboidratos.
- Sinais clínicos de timpanismo cecal: Caracteriza se por distensão abdominal localizada principalmente no lado direito do animal.
- Palpação retal no timpanismo cecal: O ceco distendido é sentido como uma estrutura semelhante a uma bexiga invadindo a região abdominal medial.
- Refluxo enterogástrico: Pode ocorrer em casos de distensão cecal devido à obstrução do duodeno, que se encontra em posição dorsal ao ceco.
Técnica de Cecocentese (Tiflocentese)
- Preparação e Assepsia: A técnica exige rigoroso controle asséptico e uso de luvas estéreis, considerando que a mucosa do ceco dos equinos é mais delgada e frágil do que a do rúmen dos ruminantes.
- Seleção de Instrumental: Utilize agulhas longas e finas para garantir a remoção eficiente do gás e prevenir a ocorrência de peritonite, evitando instrumentos curtos como o cateter 14.
- Localização Anatômica: Posicione o polegar sobre a tuberosidade coxal e desça aproximadamente um palmo para atingir a metade da região do flanco direito.
- Execução do Alívio: Introduza a agulha em direção ao membro torácico esquerdo do animal para reduzir a pressão de gás, lembrando que este é um método paliativo e não trata a causa primária.
Gravidade e Riscos da Compactação Cecal
A compactação de ceco é a menos frequente entre as compactações do intestino grosso, porém é considerada a mais grave. Por tratar se de uma estrutura frágil que se deteriora rapidamente, a ausência de tratamento célere pode evoluir para necrose da mucosa, peritonite e ruptura do órgão. O quadro também pode causar timpanismo e distensão abdominal severa, levando à parada diafragmática e morte do animal.
Tipos de Compactação e Disfunção Motora
O ceco é um órgão fundamental para a absorção de líquidos e a fermentação. Existem dois tipos principais de compactação de ceco: a forma clássica, caracterizada por alimento desidratado e firme, e a forma decorrente de disfunção neurológica, na qual o conteúdo se apresenta hidratado.
A compactação clássica está associada principalmente à ingestão de fibras muito longas, problemas de dentição ou consumo de capim de baixa qualidade com alta concentração de lignina.
Por sua vez, a disfunção cecal e a falha no esvaziamento, frequentemente associadas a um conteúdo com aspecto pastoso ou líquido na distensão, podem ser desencadeadas pelo uso excessivo de anti inflamatórios não esteroidais. Além disso, a infecção por Anoplocephala perfoliata também apresenta associação com distúrbios cecais.
Diagnóstico Clínico da Afecção Cecal
A compactação de ceco pode se manifestar clinicamente através de episódios de cólicas recorrentes. Na palpação retal, esta patologia é identificada como uma massa firme localizada no lado direito do abdômen.
A forma com conteúdo desidratado apresenta dor leve e intermitente, com boa resposta a anti inflamatórios ou dipirona. Já a forma com conteúdo hidratado manifesta se com dor mais severa, distensão abdominal gasosa, aumento da frequência cardíaca e, na palpação, é possível sentir flutuação e balotamento.
Sinais de choque séptico severo incluem mucosas arroxeadas e tempo de preenchimento capilar acima de cinco segundos. Em casos de ruptura, a paracentese abdominal pode revelar líquido peritoneal esverdeado com presença de conteúdo alimentar.
Tratamento e Prognóstico Cecal
- Tratamento clínico: Em estágios iniciais, baseia se em hidratação via oral com soluções catárticas e restrição alimentar.
- Uso de analgésicos e anti inflamatórios: Recomenda se cautela ou restrição para evitar o mascaramento da dor clínica.
- Indicação cirúrgica: Recomendada quando ocorre falha persistente na atividade motora do ceco.
- Técnica de bypass: Envolve a ligação do jejuno ao cólon maior direito para promover a exclusão funcional do ceco.
- Fatores de risco hospitalares: A hospitalização e o uso de anestesia geral podem contribuir para o desenvolvimento de distúrbios cecais.
- Fatores relacionados à idade: Equinos com mais de 15 anos frequentemente apresentam alterações na dentição, o que pode agravar o quadro digestório.
Etiologia das Compactações de Cólon Maior
- Dieta: A ingestão de capins fibrosos ou lenhosos, frequentemente associada a épocas secas, é a principal causa de compactação no Brasil.
- Qualidade nutricional: O uso de alimentos de má qualidade e dietas ricas em grama favorecem as compactações intestinais.
- Hidratação: A baixa ingestão de água é um fator predisponente fundamental para a ocorrência destas afecções.
- Dentição: Problemas odontológicos que prejudicam a mastigação adequada são fatores predisponentes relevantes.
- Atividade física: A redução do exercício físico, comum em animais estabulados ou com lesões musculoesqueléticas, predispõe à ocorrência de compactações.
- Manejo: Situações como transporte e hospitalização contribuem para o risco de compactações intestinais.
- Controle parasitário: O controle de infestações, especialmente pelo gênero Anoplocephala, é um fator relevante na etiologia das compactações.
Apresentação Clínica e Localização
A flexura pélvica representa o principal sítio de compactação por alimento, devido à redução anatômica do lúmen intestinal e sua função de separação de partículas. Nestes casos, assim como em obstruções simples por enterólitos ou sablose, a manifestação clínica inclui dor de intensidade leve a moderada e distensão abdominal de grau semelhante.
O tempo de trânsito intestinal aumentado resulta em fezes pequenas, firmes e cobertas por muco, que auxilia na lubrificação do trato. Deve se atentar que o uso de anti inflamatórios ou analgésicos pelo proprietário pode mascarar o ciclo de dor, atrasando a busca por auxílio especializado.
Compactações de longa duração tornam o intestino frágil e pesado, aumentando o risco de ruptura, além de permitir deslocamentos secundários causados pelo acúmulo de gás. Na palpação retal, a compactação é comumente identificada como uma massa firme localizada no lado esquerdo do abdome.
Tratamento Clínico e Uso de Catárticos
- Controle da dor: Utilização de analgésicos, como a dipirona, para garantir o conforto do animal durante o tratamento.
- Hidratação do conteúdo: Administração de fluidoterapia oral e venosa associada a soluções com água para reidratar a massa compactada.
- Uso de catárticos: Aplicação de agentes como sal amargo ou leite de magnésia para auxiliar na motilidade e evacuação.
- Ação de antiflatulentos: Utilização de medicamentos que quebram a tensão superficial, facilitando a penetração de líquidos nas massas compactadas.
- Monitoramento do trânsito: Emprego de marcadores, como semente de linhaça ou carvão ativado, para acompanhar o restabelecimento do fluxo intestinal.
- Resolução clínica: A eliminação do conteúdo obstruído ocorre, geralmente, em torno de 12 horas após o início do tratamento.
- Encaminhamento cirúrgico: Caso a compactação não seja eliminada em 24 horas, suspeita se de obstrução total, indicando necessidade de cirurgia.
Obstruções Diversas e Cólon Menor
Considerações Clínicas sobre o Cólon Menor
Embora a compactação do colo menor ocorra com menor frequência do que a do colo maior, ela é influenciada por alterações de motilidade e danos parasitários, como o hemomelasma na mucosa. Durante a palpação retal nesses casos, observa se a presença de massas firmes, denominadas síbalas, que permanecem intactas ao toque.
O colo transverso estabelece a conexão entre o colo maior e o colo menor, sendo um ponto anatômico de predisposição para a enteroltíase. Enterólitos formados nessa região podem migrar através do colo menor e se alojar próximos ao reto na cavidade pélvica.
É fundamental que equinos com sinais de cólica, inclusive aqueles com histórico de outras afecções como a gastrite, passem por um exame físico completo e palpação retal, garantindo um diagnóstico preciso e evitando a negligência de causas obstrutivas.
Clínica e Manejo do Cólon Menor
- Quadro clínico: Identificação de dor abdominal leve e desconforto sem alterações sistêmicas, com timpanismo frequente devido à interrupção da eliminação de gases.
- Diagnóstico: Palpação retal revelando ausência de fezes ou síbalas firmes e escassas, apresentando acúmulo de gás mais acentuado do que na compactação de colo maior.
- Manejo conservador: Protocolo primário utilizando catárticos e analgésicos, além da aplicação de enemas para auxiliar na desobstrução.
- Intervenção cirúrgica: Procedimento reservado para casos de falha do tratamento clínico ou suspeita de materiais não dissolvíveis, como fitobezoares ou enterólitos.
Clínica e Manejo do Cólon Menor (cont. 2)
- Fator obstrutivo: Fecalólitos atuam como causa comum de obstrução luminal no cólon menor.
- Grupo de risco: A condição afeta principalmente pôneis e cavalos miniatura.
Enterolitíase: Formação e Fatores de Risco
A enterolitíase é caracterizada pela formação de cálculos intestinais, compostos por sulfato de magnésio e amônio, que podem causar obstrução. A formação inicial ocorre no colo dorsal, muitas vezes tendo como núcleo corpos estranhos ingeridos devido ao hábito de pica. O fornecimento de feno de alfafa, rico em proteína, favorece esse processo, pois a sua fermentação no colo maior produz amônia.
A obstrução frequentemente ocorre no colo transverso, devido ao estreitamento do lúmen nesta região. Em 99% dos casos, o tratamento é exclusivamente cirúrgico. A exceção ocorre para enterólitos localizados no colo menor, próximo ao reto, que permitem a remoção manual por meio de tratamento clínico.
Manifestações de Enterolitíase e Sablose
A enterolitíase apresenta maior predisposição em raças como Árabe, cavalos miniatura e jumentos. Quando ocorre obstrução total do lúmen intestinal, a manifestação clínica é de dor abdominal grave e início agudo; já em casos de obstrução parcial, o animal pode apresentar episódios recorrentes de dor leve e intermitente, que podem ser confundidos com gastrite. O diagnóstico preciso da massa ou cálculo para fins cirúrgicos pode ser obtido por meio de equipamentos de raio X de alta potência.
A sablose (ingestão de areia) é frequente em animais de regiões litorâneas ou com solo arenoso. O acúmulo de areia ocorre preferencialmente no colo ventral esquerdo, próximo à flexura esternal, ou no ceco, resultando em compactação mecânica devido à diminuição do lúmen intestinal. Frequentemente, o diagnóstico definitivo da sablose é realizado durante o procedimento cirúrgico, ao detectar a presença de areia na enterotomia.
Sablose e Vólvulos Intestinais
É comum encontrar uma pequena quantidade de areia no intestino da maioria dos cavalos. No entanto, a sablose (excesso de areia no intestino grosso) é a principal causa mecânica de diarreia, reduzindo a área de absorção e aumentando a fluidez fecal. O diagnóstico de sablose é geralmente realizado durante procedimentos cirúrgicos. O psyllium é uma semente que libera um gel para captar areia no trato intestinal, embora seu tratamento não seja 100% eficaz. A enterolitíase pode se manifestar como uma cólica de início agudo e dor grave quando o cálculo obstrui totalmente o lúmen intestinal. Adicionalmente, os vólvulos podem ocorrer tanto no intestino delgado quanto no intestino grosso, representando quadros graves de abdome agudo.
Colite Dorsal Direita: Fisiopatologia Induzida por AINEs
Os equinos apresentam elevada sensibilidade aos anti inflamatórios não esteroidais (AINEs) tanto no estômago quanto no colo maior. O uso excessivo de fármacos como a fenilbutazona inibe a atividade das enzimas ciclo oxigenases (COX), resultando na diminuição da produção de prostaglandinas intestinais.
A redução das prostaglandinas é o fator fisiopatológico determinante, visto que estas substâncias são responsáveis por manter a integridade da mucosa estomacal e intestinal. A falha nesse mecanismo de proteção decorrente da inibição das COX pode evoluir para quadros de gastrite, disfunção cecal e colite ulcerativa dorsal direita.
A colite ulcerativa dorsal direita manifesta se especificamente na mucosa do colo dorsal direito, próximo à região de transição para o cólon transverso, onde a perda da proteção da mucosa pode levar a ulcerações severas.
Clínica e Identificação das Úlceras Colônicas
- Sinais sistêmicos: Incluem emagrecimento progressivo, letargia, anorexia e episódios de cólica intermitente.
- Alterações fecais: Podem apresentar consistência pastosa, sendo a diarreia geralmente mais leve que em processos infecciosos.
- Hipoproteinemia: A perda crônica de proteínas reduz a proteína plasmática, podendo resultar em edema ventral no animal.
- Endotoxemia: A quebra da barreira intestinal pode levar a animais com colite a apresentarem sinais de endotoxemia.
- Diagnóstico por imagem: A ultrassonografia permite observar o espessamento da mucosa do colo dorsal direito.
- Agente causador: O uso de fenilbutazona é altamente ulcerogênico para o cólon do equino.
Terapêutica e Manejo Dietético
O tratamento da colite dorsal direita difere da abordagem para gastrite, uma vez que inibidores de bomba de prótons e antagonistas H2 não são indicados por não haver ação de ácido clorídrico no cólon. O manejo farmacológico inclui o uso de sucralfato e misoprostol, um análogo da prostaglandina, devendo se atentar ao risco de efeito abortivo desta medicação.
Para o manejo dietético, é fundamental fracionar a alimentação em diversas refeições ao dia. Deve se reduzir a quantidade de feno e, se possível, preferir a gramínea natural, que é menos fibrosa e causa menos distensão. O uso de óleo vegetal é recomendado como fonte de energia, auxiliando na redução do estímulo mecânico sobre o cólon e minimizando o desconforto do animal.
Síndrome Diarreica Equina: Definição e Gravidade
A diarreia representa um problema grave na medicina equina, sendo um quadro especialmente debilitante para potros. Esta condição clínica pode envolver alterações significativas na fluidez, no volume ou na frequência das fezes.
Quanto à classificação temporal, as diarreias equinas são consideradas agudas quando apresentam duração de até uma semana, enquanto as que persistem por um período superior a uma semana são categorizadas como crônicas.
A gravidade do quadro clínico é acentuada pelo risco de desidratação e perda de eletrólitos, visto que um cavalo adulto com diarreia pode perder mais de 100 litros de líquido por dia.
Diarreia Infiltrativa e Agentes Infecciosos
- Agentes infecciosos: A Salmonella e os Clostrídios são as duas principais bactérias causadoras de diarreia em cavalos, sendo a salmonelose uma zoonose.
- Pequenos estrongilídeos: Parasitam o cólon maior do cavalo.
- Diarreia infiltrativa: Ocorre quando células de defesa infiltram a mucosa intestinal, impedindo a absorção normal de líquidos.
- Classificação da diarreia infiltrativa: Pode ocorrer na forma de enterocolite granulomatosa, linfocítica plasmocítica ou eosinofílica.
- Manejo farmacológico: O uso de corticoides pode ser empregado no tratamento da diarreia infiltrativa para diminuir os sinais clínicos.
- Outras causas crônicas: Peritonites, doenças hepáticas e doenças do ventrículo direito podem provocar quadros de diarreia crônica.
- Mecanismo cardíaco: A diarreia em casos de insuficiência cardíaca direita ocorre devido à congestão ou edema intestinal.
Manifestações Clínicas e Endotoxemia
Diarreias de origem bacteriana frequentemente resultam em endotoxemia e comprometimento sistêmico grave, manifestando se clinicamente por febre, letargia e depressão. Adicionalmente, nesses quadros, pode ser observada neutropenia com desvio à esquerda no hemograma. Em contraste, diarreias causadas por parasitas ou por processos inflamatórios e infiltrativos raramente apresentam alterações sistêmicas. Independentemente da etiologia, equinos com diarreia perdem eletrólitos fundamentais, especificamente sódio, potássio, cloro e cálcio, exigindo suporte hídrico e controle da integridade da flora intestinal.
Diarreia Iatrogênica e Exame Físico
A diarreia em cavalos pode ser desencadeada por causas bacterianas, parasitárias, tóxicas ou mecânicas. Dentre as causas iatrogênicas, o uso de antimicrobianos por via oral é um fator relevante: a enrofloxacina no pós operatório é associada à diarreia bacteriana, enquanto a oxitetraciclina pode induzir colite por Clostridium perfringens.
Embora os sinais clínicos, como fezes amolecidas, pastosas ou líquidas, permitam diagnosticar a presença da diarreia, eles não definem a etiologia específica. É importante notar que fezes muito líquidas representam um sinal de maior preocupação clínica. Já as alterações na dieta hospitalar podem modificar a consistência fecal, embora diarreias relacionadas a mudanças na alimentação pós operatória geralmente não sejam preocupantes.
O manejo físico é essencial, uma vez que cavalos com diarreia aguda frequentemente apresentam a região do períneo e da cauda impregnadas por fezes. O uso de luvas de palpação na cauda auxilia na proteção contra a sujidade e na prevenção de assaduras nestas áreas.
Patologia Clínica e Diagnóstico Diferencial
| Exame ou Procedimento | Aplicação e Observações |
|---|---|
| Histórico | A idade do animal é um fator fundamental para o diagnóstico diferencial das etiologias de diarreia. |
| Exame Físico | O exame deve observar a fonação, a perda de peso e sinais de endotoxemia. |
| Patologia Clínica | Perfis renal, hepático e proteico são fundamentais, pois lesões nesses órgãos podem estar associadas à diarreia. |
| Diagnóstico de Salmonelose | Utiliza coprocultura ou PCR (mais sensível); requer cinco amostras sequenciais negativas para considerar o animal livre da bactéria. |
| Manejo Terapêutico | Opta se pelo uso oral de medicamentos após alguns dias para evitar o surgimento de tromboflebite e miosites. |
Exames e condutas no monitoramento clínico e diagnóstico de diarreias em equinos.
Restabelecimento da Flora e Transfaunação
- Prioridade terapêutica: O restabelecimento da microbiota intestinal deve ser considerado prioritário em relação ao uso de antimicrobianos.
- Uso de probióticos: Administração de microrganismos vivos disponíveis comercialmente para auxiliar na colonização benéfica do trato gastrointestinal.
- Uso de prebióticos: Oferta de substratos que favorecem o crescimento e a manutenção de microrganismos benéficos.
- Execução da transfaunação: Transferência de fezes de um cavalo saudável, preferencialmente vermifugado recentemente, para o animal doente via sonda nasogástrica.
- Preparo do material para transfaunação: Diluição das fezes em água morna com bicarbonato, visando neutralizar o pH estomacal, com protocolo de aplicação diária ou a cada 48 horas.
Uso de Probióticos e Antibioticoterapia
Para favorecer a multiplicação da flora intestinal benéfica, o fermento biológico (levedura) pode ser administrado via sonda em cavalos. A levedura atua competindo com bactérias maléficas pelo substrato, o que favorece o crescimento de microrganismos benéficos.
Em relação à antibioticoterapia, o uso de antimicrobianos em cavalos com diarreia é idealmente recomendado apenas quando o animal apresenta febre. A salmonelose equina não deve ser tratada com antibióticos de rotina devido ao risco de resistência bacteriana, sendo a exceção os casos com sinais sistêmicos graves ou em animais jovens.
Quanto aos fármacos específicos, o metronidazol é eficiente no tratamento da clostridiose, a qual é caracterizada por fezes com odor extremamente fétido, enquanto a oxitetraciclina é utilizada no tratamento da neoriquetsiose. Sobre o uso de fluoroquinolonas, a enrofloxacina é indicada para cavalos adultos e contraindicada para potros, faixa etária para a qual a azitromicina apresenta eficácia. Adicionalmente, corticoides podem ser utilizados em diarreias infiltrativas para reduzir a inflamação e mitigar sinais clínicos.
Patógenos Específicos: Clostridioses e Ciatostomíases
- Clostridioses: Associadas frequentemente ao uso prévio de antimicrobianos, causadas por Clostridium difficile e Clostridium perfringens.
- Ciatostomíases: Causadas por pequenos estrôngilos no cólon maior, sendo a principal causa de diarreia crônica em equinos.
- Diagnóstico de estrôngilos: Realizado pelo OPG para presença de parasitas e cultura de larvas para diferenciação de espécies.
- Diarreias bacterianas: Caracterizadas por odor fétido e pútrido nas fezes, permitindo o uso de antimicrobianos em suspeitas clínicas.
- Metronidazol: Antibiótico indicado para o tratamento de diarreias causadas por bactérias anaeróbicas.
- Colite iatrogênica: Pode surgir pelo uso indiscriminado ou sequencial de antimicrobianos, que causa destruição da flora intestinal.
- Diarreias infiltrativas: Acometem animais jovens, principalmente entre 8 meses e 1 ano de idade, sendo diagnosticadas por biópsia ou histopatológico.
Patógenos Específicos: Clostridioses e Ciatostomíases (cont. 2)
- Salmonelose: deve ser considerada como suspeita diagnóstica em cavalos mais velhos ou naqueles com histórico de episódios anteriores de diarreia.
Febre do Cavalo do Potomac
A Febre do Cavalo do Potomac (Potomac Horse Fever) é causada por uma bactéria transmitida em áreas alagadiças.
A enfermidade causa uma diarreia aguda gravíssima, apresentando, muitas vezes, um desfecho fatal.
Causas e Mecanismos da Peritonite
- Peritonite equina: Reação aguda difusa e séptica que ocorre como secundária a uma lesão abdominal.
- Perfuração intestinal: Frequentemente causada por compactação de íleo, presença de corpos estranhos ou quadros de isquemia intestinal.
- Laceração retal: A causa principal é a palpação realizada de forma descuidada ou por pessoas leigas, o que pode resultar na formação de abscessos com comunicação para a cavidade peritoneal.
- Translocação bacteriana: Bactérias presentes no íleo proximal podem translocar para a cavidade abdominal e provocar o quadro inflamatório.
- Traumas reprodutivos: Hemorragias pós parto decorrentes de laceração da artéria uterina ou rompimento do reto por traumas durante o parto ou cobertura.
- Infecções neonatais: Infecções umbilicais e de bexiga são causas de peritonite em animais jovens e recém nascidos.
- Neoplasias: A invasão da cavidade abdominal por neoplasias, como o sertolioma, pode levar à peritonite neoplásica.
- Fatores iatrogênicos: Complicações pós cirúrgicas, fatores iatrogênicos diversos e a enterocentese, embora esta última seja considerada uma causa rara.
Paracentese e Análise do Líquido Peritoneal
O diagnóstico clínico de peritonite em equinos é confirmado através da paracentese abdominal e da análise do líquido peritoneal. Fatores relacionados ao histórico do animal, como coberturas, partos ou cirurgias recentes, aumentam a suspeita clínica da afecção.
A avaliação ultrassonográfica é uma ferramenta complementar essencial para identificar a presença de fibrina, hemorragia e abscessos na cavidade abdominal. Laboratorialmente, o paciente pode apresentar hiperfibrinemia sistêmica e alterações hematológicas como leucocitose ou leucopenia.
A fisiopatologia envolve processos como a permeação de bactérias do intestino para a cavidade, inclusive sem lesões macroscópicas na alça, ou rupturas de neoplasias, como o sertolioma. Em casos de peritonite fibrinosa acentuada, a necropsia revela fibrina de forma totalmente difusa, conferindo à cavidade um aspecto visual frequentemente descrito como omelete.
Formas Clínicas de Peritonite
Diferenciação das Apresentações Clínicas
A peritonite no cavalo tende a ser aguda e difusa porque a espécie possui um omento muito pequeno e escasso, o que dificulta a circunscrição da infecção. Esse processo resulta na diminuição da motilidade intestinal e apresenta risco aumentado após procedimentos como a enterectomia intestinal no período pós operatório.
A forma aguda manifesta se clinicamente com cólica e sinais de endotoxemia, podendo evoluir para quadros de choque hipovolêmico ou séptico. O diagnóstico fundamental é a abdominocentese, sendo que o líquido peritoneal na peritonite costuma apresentar coloração alaranjada ou amarelada.
Já a peritonite crônica apresenta sinais inespecíficos, como emagrecimento progressivo, diarreia, diminuição da motilidade intestinal e edema ventral decorrente de hipoproteinemia. Na forma crônica fúngica, observa se emagrecimento mesmo com a manutenção do apetite, podendo ser confirmada por laparoscopia. A presença de fibrina sobre as vísceras pode ser identificada através da palpação retal.
Protocolos de Lavagem Peritoneal
- Objetivo terapêutico: Eliminar a causa primária da inflamação peritoneal.
- Indicação cirúrgica: A cirurgia frequentemente indicada permite a instalação de sonda para lavagem peritoneal pós operatória.
- Solução de lavagem: Utilizar solução salina ou de Ringer lactato estéril.
- Volume infundido: Varia entre 10 e 20 litros conforme o tamanho do animal.
- Limiar de interrupção: Parar a inserção do líquido quando o cavalo apresentar os primeiros sinais de desconforto abdominal.
- Adjuvantes medicamentosos: Administrar aminoglicosídeos pelo bom efeito clínico e heparina para prevenir fibrina, observando que a heparina pode aumentar a hemorragia local.
Sinais de Insuficiência Hepática e Fotossensibilização
Sinais clínicos de comprometimento hepático em cavalos demoram a aparecer, pois é necessária uma grande parte do fígado estar lesionada.
Em casos de doença hepática aguda, o bocejamento e a encefalopatia hepática são sinais clínicos comuns. Já as lesões hepáticas crônicas, embora apresentem sinais pouco específicos, costumam manifestar se por meio de icterícia, letargia, perda de peso, cólica e fotossensibilização.
A fotossensibilização ocorre devido ao acúmulo na pele de filoeritrina, um pigmento vegetal fotossensível cujo metabolismo está diminuído pela disfunção hepática. Casos de fotossensibilização leve podem ser identificados através de áreas despigmentadas no focinho e sinais de queimaduras solares.
Encefalopatia Hepática e Regeneração
O fígado é um órgão com grande capacidade de regeneração, representando aproximadamente 5% do peso vivo de um cavalo. Apesar dessa reserva, é comum que a determinação da causa definitiva para complicações sistêmicas em pacientes com afecções hepáticas seja complexa.
A encefalopatia hepática é uma manifestação clínica grave que pode causar sinais como letargia e postura de cabeça baixa, assemelhando se a um estado de sedação. Outros sinais neurológicos incluem a pressão de cabeça contra objetos e o comportamento de girar em círculos.
Esses quadros neurológicos estão associados à ação da amônia no sistema nervoso central, onde ela se liga a receptores excitatórios. O quadro pode ser desencadeado por diversos fatores, incluindo a exposição a plantas hepatotóxicas, como a Maria mole (Senecio brasiliensis).
Diagnóstico Laboratorial e Enzimas Hepatoespecíficas
| Enzima ou Marcador | Especificidade Hepática | Significado Clínico/Observação |
|---|---|---|
| Gama glutamil transferase (GGT) | Alta | Enzima considerada a mais importante para o diagnóstico hepático em cavalos; origem canalicular biliar. |
| Sorbitol desidrogenase (SDH) e Glutamato desidrogenase (GLDH) | Alta | Enzimas hepatoespecíficas fundamentais para o diagnóstico de doenças hepáticas agudas em grandes animais. |
| Fosfatase alcalina (ALP) | Baixa | Presente no sistema biliar do cavalo, mas não é considerada específica para o fígado. |
| AST e LDH | Inespecífica | Não são hepatoespecíficas, pois também estão presentes no tecido muscular. |
| Bilirrubina (Conjugada e Não Conjugada) | A dosagem destas frações auxilia no diagnóstico diferencial de patologias hepáticas; o aumento da não conjugada pode indicar hemólise. |
As enzimas hepáticas são ferramentas diagnósticas úteis, sendo necessário diferenciar aquelas hepatoespecíficas das que também ocorrem em outros tecidos.
Hepatites Virais e Bacterianas (Theiler e Tyzzer)
A doença de Theiler representa a causa mais comum de hepatite aguda em cavalos. Historicamente, surtos foram associados a animais imunizados com soro antitetânico, nos quais a infecção pelo vírus da hepatite equina levava ao óbito em aproximadamente três dias. O herpesvírus equino tipo 1 também pode provocar hepatite viral aguda.
A doença de Tyzzer provoca hepatite aguda em animais muito jovens e é causada pela bactéria Clostridium piliforme, que entra no fígado através dos canalículos biliares.
A colangiohepatite bacteriana pode ocorrer por integração ou migração ascendente a partir do duodeno até o fígado.
Hepatopatias Tóxicas e Patologias Raras
- Migrações parasitárias: Podem levar a quadros de hepatite aguda no cavalo.
- Plantas tóxicas: Espécies como Senecio, Crotalaria e Lantana camara são causas comuns de hepatopatias em equinos.
- Seletividade alimentar: O cavalo é extremamente seletivo, o que torna a intoxicação por plantas tóxicas um evento raro no pasto.
- Introdução acidental: A intoxicação pode ocorrer quando plantas tóxicas são introduzidas inadvertidamente na alimentação através do feno.
- Senecio brasiliensis: A contaminação por esta planta pode causar cirrose hepática em cavalos.
- Alcaloides pirrolizidínicos: Compostos presentes em plantas que podem provocar fotossensibilização crônica em equinos.
- Trevo vermelho: A intoxicação por esta planta não é comum no Brasil, sendo mais frequente na Europa e na América do Norte.
- Neoplasias hepáticas: São consideradas ocorrências raras em equinos.
- Amiloidose hepática: Patologia rara caracterizada pela deposição excessiva de proteína no fígado.
- Aspecto de 'noz moscada': Alteração macroscópica que indica um fígado fibrótico, firme e com coloração mais escura.
Hepatopatias Tóxicas e Patologias Raras (cont. 2)
- Frequência dos cálculos biliares: são considerados achados raros em equinos.
- Origem das formações: podem ser causados por infecções ascendentes no sistema biliar.
Manejo Terapêutico e Suporte Hepático
O tratamento da hepatite aguda em cavalos é focado no suporte hepático. A administração de glicose é fundamental para auxiliar no metabolismo hepático, enquanto uma dieta rica em carboidratos garante o fornecimento necessário de substrato energético ao órgão.
Para a encefalopatia hepática, o manejo clínico visa reduzir a produção e a absorção de amônia. O uso de lactulose é indicado para converter amônia em amônio, diminuindo sua absorção intestinal, e antimicrobianos como a neomicina são utilizados para eliminar as bactérias intestinais produtoras dessa substância. Adicionalmente, deve se evitar a oferta de alfafa na dieta, visto que ela aumenta a produção de amônia.
Outras estratégias terapêuticas incluem a administração de pentoxifilina, colchicina e silimarina, que auxiliam na redução da fibrose e na melhoria do metabolismo hepático. O DMSO também pode ser utilizado como uma tentativa de diluir eventuais cálculos biliares presentes.
Manejo Terapêutico e Suporte Hepático (cont. 2)
O Papel da Ultrassonografia Hepática
A ultrassonografia hepática é uma ferramenta diagnóstica mais eficaz na identificação de lesões em doenças hepáticas crônicas do que em quadros agudos.
Nas formas crônicas de doença hepática, a ultrassonografia é mais precisa quando há a observação de diminuição do tamanho do fígado associada a alterações detectadas no seu parênquima.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| Os critérios de David Freeman para íleo pós operatório incluem refluxo acima de 20L em 24h e frequência cardíaca de 60 bpm. |
| A desidratação clínica em cavalos pode ser estimada pelo hematócrito; valores acima de 45% indicam desidratação de 8% a 9%. |
| A enzima GGT é hepatoespecífica no cavalo devido à origem canalicular biliar, sendo mais importante que a fosfatase alcalina. |
| As enzimas SDH e GLDH são consideradas ferramentas hepatoespecíficas fundamentais para o diagnóstico em grandes animais. |
| A biópsia hepática em cavalos apresenta o risco de hemorragia severa devido à alteração prévia nos fatores de coagulação decorrente da lesão. |
A Cura Além do Sintoma
Na medicina equina, o uso inadvertido de analgésicos pode mascarar o ciclo de dor da cólica, agravando o problema silenciosamente e retardando o tratamento correto. De maneira semelhante, muitas vezes tentamos anestesiar nossas angústias com distrações temporárias, ignorando a raiz profunda do nosso sofrimento. Quando entregamos nossas feridas sem disfarces a Jesus, permitimos que Ele trate a verdadeira causa da dor e traga uma restauração completa para a vida.
Ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas.Salmos 147:3
Reflita sobre o que você tem usado para disfarçar suas dores.