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Protocolos e Manejo Clínico das Cefaleias
O estado migranoso é caracterizado como uma cefaleia de forte intensidade que persiste por mais de 72 horas, com intervalos livres de dor inferiores a 12 horas. Para o manejo clínico dessa condição, o protocolo estabelece a administração de 10 mg de dexametasona por via intraveno
Topicos da aula
- Cefaléia
Epidemiologia e Impacto das Cefaleias
A cefaleia apresenta uma altíssima prevalência populacional, consolidando se como uma das queixas ambulatoriais mais comuns na prática médica. Os dados epidemiológicos revelam que a prevalência dessa condição ao longo da vida é de 94% entre os homens e chega a 99% entre as mulheres.
O impacto clínico é demonstrado pela frequência dos episódios: cerca de 70% das pessoas apresentaram cefaleia no último ano. Além disso, a condição ocupa a posição de terceira queixa mais frequente nos ambulatórios de clínica médica, correspondendo a 10,3% do total de queixas registradas nesses atendimentos.
Bases da Classificação e Genética
As cefaleias são categorizadas em dois grandes grupos: primárias e secundárias. Nas cefaleias primárias, o sintoma principal da doença são os próprios episódios recorrentes de dor de cabeça. Em contrapartida, as cefaleias secundárias manifestam se como o sintoma de uma condição subjacente, que pode ter natureza neurológica ou sistêmica.
No cenário brasileiro, a migrânea apresenta uma prevalência anual de 15,8%. A genética exerce um papel preponderante nessa condição, uma vez que cerca de 80% dos pacientes diagnosticados com migrânea possuem um familiar direto também acometido.
Manifestações Clínicas da Migrânea
- Frequência da migrânea sem aura: representa a manifestação mais comum da patologia, correspondendo a 75% dos casos.
- Aura migranosa típica: caracteriza se por um distúrbio visual que se desenvolve gradualmente em um tempo mínimo de 5 minutos e apresenta duração total de até 60 minutos.
- Padrão da crise álgica: a dor migranosa estende se por um período de 4 a 72 horas, sendo tipicamente unilateral em dois terços dos episódios.
Manejo da Crise Aguda na Urgência
- Administração inicial de Dipirona: 1 grama (2 ml) por via intravenosa, diluída em 8 ml de água destilada.
- Opção de Cetoprofeno: Dose de 100 mg por via intravenosa, diluída em 100 ml de soro fisiológico 0,9%, ou 100 mg por via intramuscular.
- Reavaliação após 1 hora: Caso não ocorra melhora da crise com as medicações iniciais, deve se administrar Sumatriptano 6 mg por via subcutânea.
- Restrição de Opioides: O uso dessas substâncias deve ser desencorajado devido ao risco de abuso e dependência.
Estado Migranoso e Complicações
O estado migranoso é caracterizado como uma cefaleia de forte intensidade que persiste por mais de 72 horas, com intervalos livres de dor inferiores a 12 horas. Para o manejo clínico dessa condição, o protocolo estabelece a administração de 10 mg de dexametasona por via intravenosa lenta, associada ao tratamento regular da crise migranosa. Caso não ocorra melhora do quadro após o uso de dexametasona, a conduta subsequente indicada é o uso de clorpromazina, na dosagem de 0,1 0,25 mg/kg por via intramuscular. Paralelamente, em pacientes que apresentam vômitos associados, recomenda se o uso de dimenidrato: a dose pode ser de 30 mg por via intravenosa (diluído em 100 ml de soro fisiológico a 0,9%) ou 50 mg por via intramuscular.
Migrânea Crônica e Risco de Analgésicos
Diferente do estado migranoso, a migrânea crônica é definida pela ocorrência de cefaleia em 15 ou mais dias por mês por um período superior a 3 meses, sendo que em pelo menos oito desses dias o quadro deve apresentar características típicas de enxaqueca. A cronificação da migrânea é frequentemente precipitada pelo uso excessivo de analgésicos simples e anti inflamatórios não esteroidais (AINES) por mais de 15 dias no mês. Outros fatores de risco importantes incluem a obesidade, transtornos da articulação temporomandibular e o consumo excessivo de cafeína. Para um manejo clínico adequado das cefaleias crônicas, os analgésicos devem ser abolidos da rotina do paciente, uma vez que o uso diário dessas medicações agrava o quadro e alimenta o ciclo de dor.
Cefaleia do Tipo Tensional
A cefaleia do tipo tensional episódica destaca se como a forma mais frequente entre as cefaleias primárias. Clinicamente, caracteriza se por uma dor geralmente bilateral que, diferentemente de outros tipos de dor de cabeça, pode apresentar melhora com a realização de atividades físicas.
O quadro é classificado como cefaleia do tipo tensional crônica quando a frequência das crises ocorre em mais de 15 dias por mês ou em mais de 180 dias por ano.
Para o manejo medicamentoso inicial em situações de urgência, o protocolo indica o uso de paracetamol (750 1000mg) ou dipirona (500 1000mg), com administração a cada 6 horas.
Cefaleia em Salvas e Oxigenoterapia
- Perfil epidemiológico e clínico: a condição acomete predominantemente o sexo masculino (85%) e se manifesta com dor excruciante unilateral, acompanhada de alterações autonômicas e duração entre 15 e 180 minutos.
- Oxigenoterapia de primeira linha: recomendação de oxigênio a 100% em máscara sem recirculação, mantendo fluxo de 10 12 l/min por um período de 20 minutos.
- Sumatriptano subcutâneo: opção terapêutica na dose de 6mg, quando disponível, para o manejo das crises.
- Contraindicação importante: o sumatriptano não deve ser administrado se o paciente tiver utilizado qualquer medicamento vasoconstritor anteriormente.
- Ineficácia de analgésicos: o uso de analgésicos comuns e opioides é ineficaz para o tratamento da cefaleia em salvas.
Sinais de Alerta: O Mnemônico SNOOP
O mnemônico SNOOP é utilizado como uma ferramenta essencial para identificar sinais de alerta que sugerem a presença de cefaleias secundárias. Dentro desta triagem, a letra 'O' refere se especificamente a Older, que indica o início da cefaleia após os 50 anos de idade, e a Onset, caracterizando quadros de início súbito da dor. Além dos critérios de triagem inicial, a identificação de sinais de alerta em cefaleias crônicas progressivas é fundamental para o diagnóstico. Manifestações como visão dupla, estrabismo, perda de força, convulsões e vômitos são indicativos de gravidade e necessitam de investigação minuciosa.
Cefaleia Súbita e Emergências
- Reconhecimento da gravidade: Identificar a cefaleia que atinge intensidade máxima em menos de 1 minuto, configurando sinal de alerta para causas graves mesmo sem febre.
- Diagnóstico Diferencial Vascular: Avaliar se a dor é descrita como a "pior da vida", o que está associado a hemorragia subaracnóidea, hemorragia intraparenquimatosa e acidente vascular cerebral isquêmico.
- Triagem de Distúrbios Não Vasculares: Investigar manifestações de dor diária progressiva e holocraniana que pioram ao acordar ou com manobra de Valsalva.
- Manejo Inicial na Urgência: Manter o paciente em jejum, garantir a proteção das vias aéreas e prover oxigênio se houver necessidade.
- Encaminhamento Especializado: Encaminhar imediatamente para hospital terciário para avaliação neurológica em casos de cefaleia e febre associadas a sinais de alerta.
Dicas Para Provas
| Dicas Para Provas |
|---|
| O mnemônico SNOOP é a ferramenta padrão para triagem de cefaleias secundárias na urgência. |
| O oxigênio a 100% com máscara sem recirculação é o tratamento de primeira linha para crises de cefaleia em salvas. |
| Analgestia comum e opioides são ineficazes na cefaleia em salvas; em migrâneas, o uso de opioides deve ser desencorajado pelo risco de dependência. |
O Perigo do Alívio Temporário
O uso excessivo de analgésicos para aliviar a enxaqueca pode gerar um efeito rebote, agravando o quadro e tornando a dor crônica. Na vida, também corremos o risco de buscar alívios rápidos para as nossas feridas internas, o que muitas vezes apenas mascara o problema e aprofunda nosso sofrimento. A restauração definitiva acontece quando entregamos nossas dores a Jesus, o único capaz de tratar a raiz das aflições e nos dar paz verdadeira.
Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.Mateus 11:28
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